quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Um balanço das eleições


Por Flávio Aguilar, do Apartamento 73.

Algumas observações pessoais e despretensiosas sobre as Eleições 2008 (agora que, graças a deus, acabou):

José Fogaça foi o grande vitorioso em Porto Alegre - por motivos óbvios. A reeleição renova seu prestígio no PMDB, após a conturbada troca de partido - e o posterior retorno. Nome com força para concorrer ao Governo do Estado, Fogaça promete ir até o final do novo mandato na Prefeitura e apoiar Rigotto no pleito de 2010. Claro que essas promessas não podem ser levadas tão a sério hoje em dia, mas a verdade é que o PMDB se fortaleceu para as próximas eleições. Não só aqui, mas em todo o país, com a conquista de capitais importantes como, além de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Florianópolis. O tom conciliador e paternal que elegeu Fogaça em 2004 foi o mesmo que o reelegeu agora, após um mandato sem grandes realizações.

Maria do Rosário teve sua chance, e dificilmente terá outra em 2012. A campanha foi fraca: não achou a medida para criticar um candidato com diversos pontos fracos (administração discreta, ligação com o Governo Estadual...). Rosário mostrou pouco carisma e não conseguiu passar segurança ao eleitorado. Podemos colocar na conta outros fatores para a derrota do PT: identificação de parcela dos eleitores com o passado guasca de Fogaça, anti-petismo crescente, fragmentação da oposição e mesmo preconceito com Rosário, candidata mulher. Um estudo de caso: será que Yeda não prejudicou Rosário nesse ponto? Yeda Crusius, mulher que assumiu o governo de um Estado machista e que sofre grande rejeição nas pesquisas até o momento.

Manuela d'Ávila teve sua primeira grande derrota, após estar em segundo lugar nas pesquisas por grande parte da campanha. Manuela não transformou sua popularidade em votos por lhe faltar experiência e ter demonstrado certa ingenuidade nos debates, quando foi ironizada sem rodeios por...

...Luciana Genro, a outra vitoriosa dessas eleições, além de Fogaça. Luciana demonstrou que não é mais o que muitos eleitores pensam/pensavam dela: a filha comunista e histérica de Tarso Genro. A contundência do seu discurso a levou a uma votação expressiva, considerando a modesta coligação que a sustentou. O PSOL pode se tornar a esquerda que o PT deixou de ser há tempos, quando migrou para a centro-esquerda - agora, apenas centro. A candidatura de Luciana Genro mostrou uma esquerda mais séria e amadurecida - até quando?

Continue lendo aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário