segunda-feira, 20 de outubro de 2008

De volta ao ciclo da cana?

Depois de perdermos cerca de 5% do PAMPA gaúcho para a monocultura do eucalipto, agora querem transformar nosso Estado em um imenso canavial para a produção de agrocombustíveis (que tentam nos empurrar goela abaixo como "biocombustíveis", mas na verdade de bio não têm NADA). Até o final deste mês, será concluído o detalhamento técnico do zoneamento agroclimático da cana-de-açúcar para todo o Brasil, conforme recentemente informou a subchefe-adjunta da Casa Civil da Presidência da República, Tereza Campelo.

De acordo com estudos da Fundação Estadual de Pesquisas Agropecuárias (Fepagro), o RS dispõe atualmente de 840 mil hectares apropriados para o cultivo da cana. A inclusão do Estado no zoneamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) possibilitará a instalação de mais de 40 usinas com capacidade de 500l/dia de etanol e uma infinidade de micro-destilarias e alambiques, o que provavelmente tornaria o RS auto-suficiente na produção de etanol.

Agora que a líder mundial das papeleiras está quase quebrada – em função de estripulias imprudentes no mercado financeiro –, querem aproveitar nosso território para a monocultura da cana-de-açúcar! Acho que não preciso nem falar sobre os aspectos perversos desse tipo de cultivo. Este é o modelo de desenvolvimento adotado pelo governo Lula, que entende o Brasil APENAS como um grande exportador de produtos primários para as nações ditas desenvolvidas. E isso, a que preço? Desrespeito ao meio ambiente e destruição da biodiversidade brasileira, uma das maiores (senão a MAIOR) riquezas deste país.

Nas fotos, bóias-frias. Um personagem que se tornará comum aqui no RS caso nos tornemos produtores de cana. Submetidos a jornadas de trabalho extenuantes (10 a 12 horas por dia), sem qualquer amparo por parte da legislação trabalhista, eles serão o contraponto à euforia do governo federal com o etanol e demais agrocombustíveis. Representarão pois a face nefasta desta ideologia do crescimento a qualquer custo professada pela atual gestão do presidente Lula.
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