sexta-feira, 17 de outubro de 2008

JC: Manifestação resulta em DOZE feridos


Reportagem de Juliano Tatsch, ex-colega de Fabico.

Cerca de três mil pessoas se reuniram na tarde desta quinta-feira em frente ao Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), em Porto Alegre, e partiram em marcha rumo ao Palácio Piratini. Ao final da tarde, 12 delas estavam feridas no Hospital de Pronto Socorro (HPS). As reivindicações do protesto, que reuniu integrantes da Marcha dos Sem, do Cpers, da Via Campesina, do MST, da CUT, da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), do SindBancários, entre outros movimentos sociais e sindicatos de classe, eram diversas.

Os portões do CAFF foram fechados para impedir a entrada de qualquer pessoa. Do lado de dentro do pátio, ao redor de cem soldados da Brigada Militar (BM) acompanhavam a manifestação. Após a concentração, os manifestantes partiram em uma marcha pacífica até o Palácio Piratini. A EPTC bloqueou o trânsito da avenida Borges de Medeiros no sentido bairro-Centro, do Centro Administrativo até a rua Riachuelo, de onde o grupo seguiu rumo ao palácio. Durante o trajeto de caminhada, um helicóptero da BM acompanhou os manifestantes voando consideravelmente baixo.
Segundo um dos soldados que faziam o cordão de isolamento durante a marcha, cerca de 500 policiais foram mobilizados para acompanhar o ato. Após chegar ao fim da Riachuelo e dobrar rumo ao Piratini, os manifestantes foram barrados pelo batalhão de choque da BM, munido com escudos, que impediu que o carro de som chegasse em frente ao Palácio. Começou aí uma negociação entre o comando da marcha, os deputados estaduais e o comando da Brigada para que a passagem fosse desobstruída.
"Rasgaram a Constituição Federal. A lei tem de ser respeitada", exclamou o deputado estadual Raul Carrion (PCdoB). Por volta das 16h ocorreu o confronto. Três bombas de efeito moral foram jogadas contra a multidão. Tiros com balas de borracha também foram dados. Os cavalarianos da BM se postaram em frente ao palácio. No meio do tumulto, Carrion foi agredido por soldados da BM. "Fui golpeado por um brigadiano no estômago com a ponta do cacetete várias vezes", disse o parlamentar.

Os deputados Carrion, Raul Pont (PT), Ronaldo Zulke (PT) foram negociar com o comandante-geral da Brigada, coronel Paulo Mendes. Entretanto, assim como a imprensa, foram impedidos de se aproximar do coronel por uma barreira de soldados do pelotão de choque. Após cerca de uma hora de negociação, o pelotão recuou e a passagem do carro de som foi liberada.

"São repressores e acham que assustam o povo com o uso dessa força desmedida. A BM e o governo saíram derrotados hoje. Os trabalhadores organizados venceram", enfatizou Carrion. Às 17h, a manifestação acabou. Após o acontecido, o professor estadual Paulo Lopes, de Canoas, desabafou sobre o que viu. "Nem a ditadura militar nos barrava em frente ao Piratini. Eu não lembro de uma situação como essa. Eu participo de manifestações desde 1970 e nunca havia visto uma brutalidade assim", afirmou.


BM usa força contra bancários no Centro da Capital
Um protesto do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, em frente à agência central do Banrisul, acabou em confronto com a BM. O fato ocorreu na manhã desta quinta-feira na praça da Alfândega, no Centro.

Como resultado, pelos menos três manifestantes ficaram feridos - dois deles foram levados para receber atendimento no HPS. De acordo com José Ledur, funcionário do banco, dirigente do Sindicato dos Bancários (SindBancários) e um dos manifestantes, um grupo de cerca de 50 soldados da BM, incluindo a tropa de choque, com cacetetes, escudos e armas chegaram no local já batendo nos grevistas. "Uma colega saiu com a cabeça machucada e outro teve o braço quebrado", destacou Ledur.

A manifestação pedia a retomada das negociações com a direção do banco. Os bancários relataram que a BM atuou com força desproporcional e não houve nenhuma negociação. "Chegaram com truculência em cima de motos e batendo na gente", disse um diretor do SindBancários.

A BM contesta, alegando que "uma guarnição conversou com eles pedindo para que não bloqueassem a entrada da agência. Como eles se negaram a sair, o efetivo teve que usar a força necessária para cumprir a lei, já que uma medida judicial impede o bloqueio da porta de bancos", explica o chefe do Comando de Policiamento da Capital, Jarbas Vanin.

No entanto, uma declaração do comandante-geral da Brigada, coronel Paulo Mendes, subiu o tom. "A história recente da BM mostra que não abrimos espaço para negociação. Eles deveriam saber disso antes de bloquear a entrada do banco". Ao verificar o livre-trânsito na agência, Mendes foi vaiado pelos manifestantes. Sobre as críticas com relação à ação violenta, Mendes afirmou que "a Brigada não age com truculência, a truculência é de quem age contra a lei. Bloquear um estabelecimento não está previsto na lei, então eles são os truculentos. A BM age no limite da lei."

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