quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E no panfleto da Azenha...

Política e cidadania na visão dos gaúchos
Encomendada pelos deputados pesquisa divulgada ontem norteará trabalho do parlamento

O gaúcho pouco gosta de política e desconhece os projetos aprovados pela Assembléia Legislativa, mas reconhece a importância da democracia. Esses são alguns dos resultados da pesquisa de opinião pública “Os Gaúchos e a Política”, divulgada ontem pela Assembléia.

O estudo foi encomendado pela Mesa Diretora com o objetivo de captar o que o cidadão pensa sobre ação parlamentar, cultura democrática e situação do Estado. A apresentação foi feita pelos coordenadores do projeto, os cientistas políticos Benedito Tadeu César, do Laboratório de Observação Social (Labors), da UFRGS, e Juliano Corbellini, do Instituto DataUlbra. A pesquisa ouviu 2.896 pessoas entre 5 e 16 de setembro em 79 municípios.

Segundo o presidente da Assembléia, Alceu Moreira (PMDB), o levantamento será feito anualmente para orientar os trabalhos da Casa. O custo da pesquisa foi de R$ 100 mil.

Muito conveniente divulgar essa imagem de que o gaúcho não gosta muito de política e absolutamente não acompanha (e, por conseguinte, não cobra) seus representantes eleitos, já que apenas legitima o conformismo social e o conservadorismo expresso por gestões tacanhas como as de Fogaça e Yeda e por parlamentos eivados de corrupção e sem-vergonhice (e isso em todos os níveis, federal, estadual e municipal).

Assim, desconsidera-se a existência de uma sociedade civil organizada, que vem se mobilizando para defender os interesses de sua comunidade, muitas vezes contrários ao poderio econômico e às elites locais. Cabe a nós, cidadãos, construirmos uma alternativa ao modelo representativo – que, ademais, já não nos representa de verdade (como vimos ontem na votação do Pontal) –, baseada na organização de indivíduos para a participação efetiva nos processos de decisão política e de cidadania. E, muito importante: independente de orientação partidária.

Acho que assim poderemos chamar a atenção das pessoas para nossas bandeiras, e chamá-las para LUTAR junto conosco. Porto Alegre não aceitará calada que continuem a depredar seu ambiente natural e a deteriorar sua qualidade de vida! Faremos com que nos ouçam.

Ontem, a Câmara foi a BOMBONERA!!!


Pelos chiliques que alguns vereadores deram durante a longa (OITO horas) sessão de discussão e votação do vergonhoso projeto de lei complementar do Legislativo 006/2008 – que viabiliza a construção do famigerado Pontal do Estaleiro – deu para ver que eles sentiram nosso "bafo quente na nuca", como escreveu o Juremir em sua coluna no CP de anteontem (11/11).

Planejamos uma manifestação silenciosa, permanecemos até bastante tempo amordaçados; porém, não demorou muito até a indignação tomar conta de todos os ocupantes do lado direito das galerias da Câmara, que não arredaram o pé das 14 até as 22 horas; xingamos, insultamos e vaiamos muito os vereadores vendidos que aprovaram esse projeto, o Pontal da Vergonha. Pontal da Desesperança, do Atraso e do Desrespeito ao Meio Ambiente.


Para vocês terem idéia do baixo nível de alguns de nossos representantes eleitos, o sr. vereador Haroldo de Souza (PMDB) fez sinais obcenos e me mandou, sem nenhum rodeio, TOMAR NO CU. Ele se sentiu ofendido porque estávamos chamando-o de mercenário. Perdeu as estribeiras e mostrou que não possui aptidão social para ser parlamentar. Há duas semanas, esse cidadão vem me ameçando e me desrespeitando, dizendo que sou desordeiro.

Ora, sou cidadão desta cidade, tenho pleno direito de manifestar minha insatisfação com os agentes políticos do meu município. Agora, uma pessoa que enche a boca pra dizer (cheio de vaidade) que é representante eleito do POVO não tem o direito de mandar uma pessoa do POVO tomar no CU. E esse sujeito ainda queria o número da minha identidade para me processar. Eu é que devia processar esse crápula fascista!

Outro que perdeu a compostura foi Elias Vidal (PPS), que se emocionou além da conta na defesa do Pontal do Atraso. Ficou exibindo imagens supostamente tiradas da área do Estaleiro Só, comparando-as com países africanos e com o Nordeste brasileiro. Noutro momento, disse que não se importava com o futuro da cidade: queria benefícios AGORA, num raciocínio de estreiteza imediatista muito semelhante ao das empresas de construção civil, em sua permanente agressão ao meio ambiente e à qualidade de vida nas cidades.

E ainda por cima fomos chamados de "escória da sociedade" pelo vereador Nereu D'Ávila (PDT). É pouco ou quer mais?!

O fato é que agora a pressão será sobre o prefeito José Fogaça. Mostraremos a ele que o povo de Porto Alegre REPUDIA este nefasto empreendimento e que essa Câmara corrupta NÃO NOS REPRESENTA! Todos os cidadãos conscientes desta cidade precisam se engajar nessa campanha de cidadania e de defesa da legalidade!

A partir de agora, a mobilização só deve aumentar. Conseguimos atrair a atenção inclusive da mídia corporativa guasca, que não pôde continuar ignorando nosso movimento como vinha fazendo até então.

Sábado, às 18 horas, tem reunião no DCE/UFRGS (av. João Pessoa, 41), para decidir as estratégias de ação para a segunda etapa desta batalha: pressionar o prefeito Fogaça para que VETE o projeto na íntegra. Ontem, os vereadores pontaleiros e seus sustentadores empresários da construção obtiveram apenas uma vitória parcial; a luta, porém, continua: na verdade está apenas começando!

Fotos (CMPA): manifestantes mostram de maneira criativa sua insatisfação com parlamentares; vereadores pontaleiros dão chiliques e ofendem cidadãos de Porto Alegre; Nereu D'Ávila e alguns representantes da "escória da sociedade"; bandidos comemoram crime ambiental.

A força da bancada do cimento

Por Marco Aurélio Weissheimer, do RS Urgente.

O setor imobiliário de Porto Alegre está entusiasmado com as possibilidades que o segundo governo Fogaça oferece. O projeto do Pontal do Estaleiro é só o início de uma série de outras obras de grande porte em áreas até então proibidas por questões ambientais e urbanísticas. Sabendo do caráter polêmico do projeto do Pontal, Fogaça moveu as peças para que a votação na Câmara Municipal ocorresse apenas depois das eleições. Agora, com mais quatro anos pela frente, o espaço está mais aberto para as construtoras. O Executivo já enviou projetos ao Legislativo sobre a construção do novo estádio do Grêmio (bairro Humaitá) e novos prédios na área do atual estádio Olímpico (Azenha), e também sobre os projetos de construção do Inter, nas áreas do antigo estádio Eucaliptos e do Beira-Rio. Muitos espigões estão projetados, inclusive à beira do Guaíba. Pelo que está se vendo hoje na Câmara de Vereadores, a bancada do cimento está forte.

Câmara COMPRADA aprova PONTAL da VERGONHA

Com 20 votos favoráveis, 14 contra e duas abstenções, o projeto Pontal do Estaleiro foi aprovado na noite de ontem (12/11) pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre, após oito horas de sessão. Pouco antes da votação, os integrantes do Movimento Defenda a Orla, em protesto, se retiraram do plenário, entoando o hino rio-grandense.

Com a aprovação, entidades e a bancada do PT planejam entrar com uma Ação Popular na Justiça, exigindo a realização de um plebiscito para consulta à população. Agora, o projeto de lei complementar do Legislativo 006/2008 (clique aqui para visualizá-lo na íntegra) será encaminhado ao Executivo para sanção (ou veto) do prefeito José Fogaça.

Votaram a favor do Pontal do Estaleiro:
Alceu Brasinha (PTB),
Almerindo Filho (PTB),
Bernardino Vendruscolo (PMDB),
Dr. Goulart (PTB),
Elias Vidal (PPS),
Ervino Besson (PDT),
Haroldo de Souza (PMDB),
João Carlos Nedel (PP),
João Antônio Dib (PP),
João Bosco Vaz (PDT),
José Ismael Heinen (Demo),
Luiz Braz (PSDB),
Maria Luiza (PTB),
Maristela Meneghetti (Demo),
Maurício Dziedricki (PTB),
Mauro Zacher (PDT),
Nereu D'Avila (PDT),
Nilo Santos (PTB),
Sebastião Melo (PMDB) e
Valdir Caetano (PR).

Contrários ao projeto foram os vereadores Adeli Sell (PT), Aldacir Oliboni (PT), Beto Moesch (PP), Carlos Todeschini (PT), Cláudio Sebenelo (PSDB), Dr. Raul (PMDB), Guilherme Barbosa (PT), José Valdir (PT), Marcelo Danéris (PT), Margarete Moraes (PT), Maria Celeste (PT), Mauro Pinheiro (PT), Neuza Canabarro (PDT) e Professor Garcia (PMDB).

Elói Guimarães (PTB) e Maristela Maffei (PCdoB) se abstiveram.

Fonte: Ecoagência.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Yeda autoriza início das obras da barragem Jaguari

O Programa Estruturante Irrigação é a Solução será lançado nesta quarta-feira (12/11), em Rosário do Sul, interior do RS, pela governadora Yeda Crusius e pelo secretário de Irrigação e Usos Múltiplos da Água, Rogério Porto.

"Com os açudes existentes, mais os que serão construídos, poderemos irrigar 270 mil hectares”, anuncia o assistente técnico estadual em Irrigação pela Emater/RS-Ascar, José Enoir Daniel Daniel.

Tanto a barragem de Jaguari como a de Taquarembó vêm tendo seus projetos muito contestados, inclusive por via judicial. Um dos maiores críticos das barragens é o consultor da OEA Antônio Eduardo Lanna, doutor em planejamento e gestão de recursos hídricos. Segundo ele, na verdade, apenas 50 arrozeiros vão ser beneficiados com as obras.

Leia mais na Ecoagência.

Trecho de nota da bancada de vereadores e da executiva municipal do PT

O papel de alguns vereadores da Câmara Municipal também merece total repúdio. A defesa do projeto na Casa vai na contramão da impessoalidade e da moralidade – princípios básicos dos agentes públicos. A especulação imobiliária e a avidez dos empreendedores mais uma vez irrompem contra a coletividade. Trata-se de um mega empreendimento cujo retorno para a cidade será pequeno demais se comparado ao lucro dos grandes investidores. Um projeto desta amplitude muda o regime urbanístico, agride o meio ambiente e gera conseqüências imensuráveis. Além disto, Porto Alegre poderá ver, mais uma vez, a elite da cidade ocupando espaços privilegiados de moradia e bem-estar.

Leia a nota na íntegra.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ministério Público investiga projeto Pontal

No CP de hoje.

A área do Pontal é privada e precisa ter um uso desde que este
dialogue com o meio ambiente e o Plano Diretor da cidade.
Ana Maria Marchesan, promotora do Meio Ambiente (MP-RS).

O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul instaurou inquérito civil para apurar supostos impactos ambientais que poderão ser causados pelo projeto Pontal do Estaleiro, na orla do Guaíba, em Porto Alegre. O processo foi aberto na sexta-feira, após desarquivamento de uma representação encaminhada no ano passado pelo presidente do Fórum Municipal de Entidades, arquiteto Nestor Nadruz. "Na época, entendemos que não era necessário apurar o caso porque não tinha nenhum projeto em tramitação no Legislativo que tratasse do assunto. Mas, diante desse imbróglio judicial em torno do tema, decidimos desencadear a investigação", explicou a promotora Ana Maria Marchesan, titular do inquérito na Promotoria do Meio Ambiente do MP. Segundo ela, será apurado se o projeto representa algum risco de impacto ao meio ambiente e ao sistema de mobilidade urbana.

Depois de muita polêmica e vários adiamentos de votação, o projeto que prevê a ocupação da área do antigo Estaleiro Só deverá ser votado pela Câmara Municipal na sessão de amanhã. A obra consiste na construção de um prédio comercial composto de 195 conjuntos, outro tipo flat, com 90 unidades, além de quatro edifícios residenciais com 40 metros de altura, 13 pavimentos e 216 apartamentos.

Em visita ao Correio do Povo ontem, integrantes do Movimento Defendo a Orla elogiaram a cobertura do jornal sobre a polêmica e manifestaram total discordância com o projeto proposto pelos vereadores. "O empreendimento trará sérios prejuízos aos porto-alegrenses, tanto na questão ambiental quanto na urbanística", apontou Paulo Guanieri, secretário-geral do Fórum Municipal de Entidades. Os integrantes do movimento pretendem fazer uma grande mobilização nesta quarta-feira (12/11), na Câmara Municipal, durante a votação, para pressionarem os parlamentares a não aprovarem a matéria em plenário.

Movimento Defenda a ORLA! visita a Caldas Júnior


Uma comissão de representantes do Movimento Defenda a Orla visitou na tarde de ontem(10/11) a Empresa Jornalística Caldas Júnior, sendo recebida pelo editor-chefe do Correio do Povo, o jornalista Telmo Flor. O objetivo foi destacar o engajamento do jornal na defesa da lei e da preservação da área como um espaço público. Também foi salientada a adesão ao Movimento de intelectuais, artistas, profissionais de nível técnico, estudantes e professores.

“A posição do jornal é fruto da convicção dos jornalistas e da direção da Caldas Júnior, que optaram em encampar o movimento a partir de editoriais”, anuncia Telmo Flor, ao garantir que “a opinião de uma parcela expressiva da população dá mais estímulo à empresa para prosseguir na divulgação de notícias e de artigos que defendam a moralidade no uso do dinheiro público e privado”. E afirmou: “Faremos todo o esforço para que o projeto não prossiga desta forma, mas é a mobilização que pode evitar a aprovação”.

Telmo Flor se comprometeu a divulgar as ações promovidas pelo Movimento Defenda a Orla, em especial na próxima quarta-feira, dia 12, quando o projeto Pontal do Estaleiro poderá ser votado pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Para Cesar Cardia, do Grupo de Comunicação do Movimento, a repercussão das ações e das possíveis conseqüências que o projeto pode gerar para a cidade está sendo ampliada com o apoio do Correio do Povo. O secretário do Fórum Municipal de Entidades, Paulo Guarnieri, observa que a possível aprovação do projeto induz a uma nova lógica de uso da Orla do Guaíba.

Apoios “de peso”

Os representantes aproveitaram a oportunidade para anunciar, em primeira mão, ao Correio do Povo, a instauração de Inquérito Civil, por parte da promotora de Meio Ambiente do Ministério Público, Ana Maria Marchezan, também nesta segunda-feira. “Considerando a iminência de votação do projeto e o fato de haver uma grande probabilidade de que ele venha a ser aprovado, instauramos inquérito para apurar os fatos denunciados”, diz a promotora, ao reafirmar que esta medida dá prosseguimento à ação civil pública impetrada pelo arquiteto e urbanista Nestor Nadruz.

Para a vice-presidente da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), Sandra Ribeiro, “a notícia é espetacular. O Ministério Público, fiel a sua trajetória de cumprir a Constituição e fazer justiça ambiental, é mais um valioso aliado para a nossa causa”, destaca Sandra.

Entre as entidades que já manifestaram publicamente seu repúdio ao projeto Pontal do Estaleiro estão Fórum Municipal de Entidades, Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, Amabi (Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência), Movimento Viva Gasômetro, Associação Moinhos Vive, Ambi (Associação dos Moradores do Bairro Ipanema), Ama (Associação dos Moradores da Auxiliadora), CCD (Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Pedra Redonda, Vilas Conceição e Assunção), CMVA (Conselho Gestor dos Moradores da Vila Assunção), Defender (Defesa Civil do Patrimônio Histórico), Associação dos Moradores da Cidade Baixa, Associação de Moradores do Centro de Porto Alegre, Associação Comunitária Jardim Isabel Ipanema, Amobela (Associação dos Moradores da Bela Vista), Ceucab/RS (Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do RS), AMSC (Associação dos Moradores do Sétimo Céu), Movimento Petrópolis Vive, UPV (União Pela Vida), ONG Solidariedade, Movimento Higienópolis Vive, Amachap (Associação dos Moradores do Bairro Chácara das Pedras), Instituto Biofilia, InGá Estudos Ambientais, NAT/Brasil (Núcleo Amigos da Terra), DCE/UFRGS, Diretórios Acadêmicos da Fabico, da Geografia, Arquitetura, História e da Biologia, Instituto dos Arquitetos do Brasil/RS, Sindicato dos Engenheiros do RS, Associação dos Geógrafos Brasileiros, seccional Porto Alegre, Associação Chico Lisboa e Asae (Associação dos Servidores da Emater/RS-Ascar).

Outras adesões podem ser subscritas através do abaixo-assinado eletrônico www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/1571.

Por Adriane Bertoglio Rodrigues, especial para o Movimento Defenda a Orla!

O Pontal da hipocrisia

Juremir Machado da Silva, jornalista, escritor, professor e pesquisador da PUCRS e colunista do Correio do Povo, volta à carga e critica de maneira ácida e mordaz o projeto Pontal em sua coluna no noticioso da Caldas Júnior.

Está marcada para amanhã, se a Justiça deixar, a votação, na Câmara dos Vereadores, do projeto Pontal do Estaleiro. A malandragem costuma adotar expressões modernosas para enganar os incautos: revitalização, embelezamento, criação sustentável de empregos, adoção de um perfil urbanístico de Primeiro Mundo. Tudo conversa fiada. A mesma turma que pretendia se apropriar de quase toda a orla do Guaíba na época do governo Collares, com um papinho semelhante, voltou ao ataque para tentar o golpe do novo milênio. Comprou a área do antigo Estaleiro Só por míseros R$ 7,2 milhões, preço vil em função da lei que impede a construção de prédios residenciais no local, e pretende, mudando a lei, ganhar rios de dinheiro. Estrategicamente, os vereadores deixaram a votação para depois das eleições. A manobra não passou.

Depois que escrevi sobre esse assunto, há alguns dias, tenho recebido toneladas de insultos de pretensos modernos. Por favor, mandem mais. Dizem-me que a área é privada. Pois devia ter sido comprada por essa merreca pelo município de Porto Alegre ou pelo Estado. É um espaço que deve ser público. Mais de 20 entidades vêm protestando contra essa privatização do pôr-do-sol. Indicam que haverá engarrafamento na avenida Padre Cacique, bloqueio do sol e do vento e aumento da produção cloacal. A lei estabelece que a orla é área de proteção permanente. O pessoal da grana, que sonha com um janelão à beira do rio, acha que basta mudar a lei. Afinal, eles têm os meios que movem o mundo. Eu já pensei em ter uma cabana no meio do Parcão. Só para deitar na rede e olhar as patricinhas correndo. Não tenho dinheiro para eliminar os obstáculos ao meu projeto. Além disso, teria de ver também as peruas. Outra idéia genial seria um espigão de 50 andares no meio da Redenção. Tudo pela modernidade.

Dá para embelezar o Pontal do Estaleiro com jardins, quadras de esportes, bares, restaurantes, teatros, museus e uma infinidade de equipamentos de interesse coletivo. A verdade é que há um novo mecanismo de chantagem na praça. Internacional e Grêmio querem estádios novos ou reformados para a Copa do Mundo de 2014. Só atingirão esse objetivo vendendo os Eucaliptos e o Olímpico. Quem pode comprar condiciona o negócio à mudança da lei para que seja possível construir arranha-céus de mais de 30 andares. O Estaleiro é apenas a ponta de uma jogada para pisotear as leis de proteção ambiental e alterar o perfil urbanístico de Porto Alegre de modo a saciar enfim o apetite vertical dos ganhadores de dinheiro como esporte principal. Atenção, o mundo mudou. Aquilo que se podia fazer 30 anos atrás agora não desce mais redondinho.

O cartel dos espigões terá de enfrentar a resistência da população. Estudantes e ambientalistas devem acorrentar-se ao longo do território ameaçado para defendê-lo do avanço inimigo. Parte da mídia faz ouvidos de mercador aos que gritam. Afinal, interesses imobiliários conjugados podem reduzir a liberdade de expressão sem que isso faça corar os jornalistas. Por trás de cada discurso sobre os benefícios da modernidade, sempre tão arrogantes e especializados, esconde-se a mais velha das ambições: ganhar dinheiro fácil e levar vantagem em tudo. A Câmara dos Vereadores vai virar uma Bombonera. Os representantes do povo sentirão o bafo da massa na hora de votar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Pontal do Estaleiro: visões antagônicas sobre o aproveitamento da ORLA do Guaíba


Nas últimas semanas, as discussões sobre o polêmico projeto Pontal do Estaleiro se tornaram ainda mais acirradas, com manifestações contrárias e favoráveis à sua construção. O empreendimento é estimado em R$ 165 milhões e, para ser viabilizado, necessita de alteração nas leis do município.

O complexo arquitetônico prevê a construção de cinco edifícios residenciais de 12 andares (220 apartamentos e uma área de 32.160 mil metros quadrados), um hotel com 200 apartamentos e centro de convenções, estacionamento com 1.449 vagas, prédios para escritórios e consultórios, uma marina, um píer para embarcações turísticas, uma esplanada pública de lazer e espaço para bares, restaurantes, lancherias e danceterias.

O Projeto de Lei Complementar do Legislativo 006/2008 será votado no próximo dia 12/11, quarta-feira, na Câmara Municipal de Porto Alegre. Está sendo montado forte aparato repressivo, inclusive com o emprego da Tropa de Choque e da cavalaria da Brigada Militar, para conter protestos dos cidadãos mobilizados contra o projeto Pontal e garantir, nem que seja na marra, a votação do controverso projeto, num claro atentado à democracia e ao direito constitucional de livre manifestação.

Mobilização da sociedade deu origem a movimento amplo

Para os coordenadores do Movimento Defenda a Orla!, Paulo Guarnieri, Filipe Oliveira e Cesar Cardia, a proposta foi encaminhada com vício de origem, já que o projeto deveria ser proposto pelo Executivo, e não pelo Legislativo. Os representantes do movimento – que congrega ambientalistas, líderes comunitários, estudantes universitários, intelectuais e membros da classe artística portoalegrense – argumentam que a alteração da lei beneficiará apenas um empreendedor, abrindo "um perigoso precedente para o crescimento da cidade, trazendo problemas de impactos ambientais, problemas viários e aumento da poluição, especialmente no nosso Rio Guaíba”.

Apesar das restrições impostas pela Lei Complementar municipal 470/2002, que proíbe construções residenciais, industriais e depósitos no local, o empreendedor procurou a Câmara de Vereadores de Porto Alegre, e conseguiu que 17 parlamentares assinassem um projeto de lei destinado a alterar a legislação em benefício de sua empresa. O projeto que tramita no Legislativo portoalegrense, eivado de irregularidades, já foi alvo inclusive de ações judiciais, impetradas pelo vereador Beto Moesch (PP).

O proprietário-investidor arrematou em leilão uma área de preservação permanente sabendo de sua condição legal, e se dispôs a afrontar a legislação para auferir lucros superiores a 2.342%, na construção daquilo que estava expressamente proibido no local: um super-condomínio com seis prédios em forma de muralha, cor branco neve e 43 metros de altura.

Falência do Estaleiro Só e leilão judicial da área

Há cerca de treze anos, o Estaleiro Só – situado na Ponta do Melo, zona Sul de Porto Alegre – quebrou, levando ao desabrigo centenas de funcionários e suas famílias. O processo de falência foi demorado, e apenas em 2005 foi feito o leilão da área do antigo estaleiro, arrematada por modestos R$ 7 milhões, pela BM PAR Empreendimentos, dirigida por Rui Carlos Pizzato. O baixo preço levantado pela massa falida devia-se às restrições impostas pela legislação municipal à ocupação urbanística daquela área, nível I de preservação ambiental.

Apesar disso, o empreendedor encomendou um projeto denominado Pontal do Estaleiro, idealizado pelo arquiteto Jorge Debiagi, cuja volumetria prevista obstrui completamente a vista do morro que lhe fica atrás. O entrave legal não intimidou o investidor: procurou ele a Câmara Municipal de Porto Alegre, e conseguiu que 17 vereadores encaminhassem um projeto de lei destinado a violar a legislação portoalegrense em benefício de uma única empresa.

O Fórum Municipal de Entidades, responsável pela análise e emendas ao Plano Diretor como porta-voz da comunidade, entende que esse único projeto abrirá um perigoso precedente que deitaria por terra toda a legislação ambiental para a orla, e possivelmente para outras regiões da cidade. E esta é apenas uma das razões pelas quais o Fórum é contrário ao Pontal do Estaleiro.

Sociedade civil organizada em defesa da ORLA!

As entidades que já manifestaram publicamente seu repúdio ao projeto Pontal do Estaleiro são Fórum Municipal de Entidades, Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, Amabi (Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência), Movimento Viva Gasômetro, Associação Moinhos Vive, Ambi (Associação dos Moradores do Bairro Ipanema), Ama (Associação dos Moradores da Auxiliadora), CCD (Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Pedra Redonda, Vilas Conceição e Assunção), CMVA (Conselho Gestor dos Moradores da Vila Assunção), Defender (Defesa Civil do Patrimônio Histórico), Associação dos Moradores da Cidade Baixa, Associação de Moradores do Centro de Porto Alegre, Associação Comunitária Jardim Isabel Ipanema, Amobela (Associação dos Moradores da Bela Vista), Ceucab/RS (Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do RS), AMSC (Associação dos Moradores do Sétimo Céu), Movimento Petrópolis Vive, UPV (União Pela Vida), ONG Solidariedade, Movimento Higienópolis Vive, Amachap (Associação dos Moradores do Bairro Chácara das Pedras), Instituto Biofilia, InGá Estudos Ambientais, NAT/Brasil (Núcleo Amigos da Terra), DCE/UFRGS, Diretórios Acadêmicos da Fabico, da Geografia, Arquitetura, História e da Biologia, Instituto dos Arquitetos Brasileiros/RS, Sindicato dos Engenheiros do RS, Associação dos Geógrafos Brasileiros, seccional Porto Alegre, Associação Chico Lisboa e Asae (Associação dos Empregados da Emater/RS-Ascar).

Além disso, o Movimento Defenda a Orla, que engloba todas as entidades acima arroladas, recebe também o apoio de instituições e personalidades, como a artista plástica Zorávia Bettiol, o cartunista Santiago e o jornalista e escritor Carlos Urbim. Este último escreveu o seguinte: “Cravaram antes um muro da vergonha no coração da cidade. Mataram, para quem passa por ali, a visão da água. Depois estreitaram o caminho fluvial para plantar asfalto e concreto administrativo. Deixaram, ao menos, um rastro de verde no Parque Marinha. Agora, por absoluta ganância, querem invadir a ponta do estaleiro. Porto Alegre não merece tanta agressão. O Guaíba, estrangulado, precisa respirar. E todos os moradores querem aproveitar - sem muros, barreiras e espigões - a beleza única do nosso estuário.”

O movimento também condena a postura eticamente reprovável do empreendedor. “Quando adquiriu o terreno, em leilão, o empreendedor pagou um valor mais baixo, porque a construção de prédios residenciais, na área, estava impedida por lei”, explicam os defensores da Orla, ao denunciar a pressão para mudança da lei, beneficiando um mínimo de pessoas em detrimento de toda a população. “Caso a lei seja alterada, o Poder Público Municipal estará sendo irresponsável com as pessoas que morarão ali, pois é área de proteção ambiental, mas com risco de enchentes. Além de anti-ético, desrespeitará a legislação”.

O Movimento Defenda a Orla enfatiza a vocação da orla, “em qualquer lugar do mundo”: Lazer e recreação. “A construção do empreendimento inviabilizaria a implantação de um parque ecológico, em que toda a população tenha acesso”, observa César Cardia, ao reafirmar “queremos garantir a vista do nosso Guaíba e seu belo pôr-do-sol”.


Argumentos em favor de um parque ecológico

A jornalista e escritora Tania Faillace, integrante do movimento, explica melhor sua visão sobre a proposta de um parque ecológico na orla do Guaíba:
"na verdade, não temos ainda um projeto acabado: temos uma idéia, a ser trabalhada coletivamente. E 70 quilômetros de orla, que, certamente, não serão homogêneas como as fileiras de eucaliptos dos reflorestamentos", argumenta.

Tania explica ainda que o parque, na ótica dos ambientalistas, terá trechos mais densos, trechos mais abertos, mata com flora e fauna originais, espaços de camping, pracinha, balneário com vestiários, área esportiva, viveiro de plantas, aquários e criadouros com alevinos e girinos, alojamentos de animais em situação de adaptação ao ambiente natural; galpões para prática de artes e artesanato e/ou salas de aulas teóricas, ou de dança; ancoradouros de canoas e ioles; mais mata; mais espaços de camping...

Além disso, atividades de educação ambiental, iniciação esportiva e geração de renda para populações carentes estariam contempladas na proposta do parque, que abarcaria toda a extensão da nossa orla. "
Tudo isso teria o dom de alavancar uma valorização social da área, com regularização fundiária e remanejamento dos núcleos habitacionais dentro da mesma região, de forma a garantir a boa qualidade sanitária do rio e dos agrupamentos habitacionais", salienta a jornalista. A construção do parque seria antecedida de um concurso nacional, com o apoio do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), com vistas à seleção de projetos para a futura área verde.

Abaixo-assinado necessita de 50 mil assinaturas

Prossegue com ampla adesão o abaixo-assinado eletrônico, promovido pelo Fórum Municipal de Entidades, que pode ser acessado através do http://abaixoassinado.org/abaixoassinados/1571. São necessárias 50 mil assinaturas, anuncia a presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Edi Fonseca, para encaminhar projeto de lei popular garantindo a preservação da orla do Guaíba. O documento conta atualmente com mais de 6 mil assinaturas. “Precisamos ampliar a campanha e para isso conclamamos as pessoas que defendem a preservação da Orla como área pública, o respeito às leis e a criação de um parque ambiental na área em questão, que divulguem o documento”, disse a ambientalista

O Fórum Municipal de Entidades e os estudantes estão formando comissões para elaborar estratégias em defesa da Orla do Guaíba. “A participação da sociedade é fundamental para encaminharmos decisões junto aos poderes”, analisa Sylvio Nogueira, do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, integrante do Fórum.

“Temos que ganhar corações e mentes”, defende Nogueira, ao observar a participação de entidades ambientais, comunitárias e de bairros, desde o Moinhos até os bairros mais simples de Porto Alegre. “A construção de um novo tipo de sociedade só será possível com união e mobilização”, enfatiza o ambientalista.

Razões para ser CONTRA o Pontal:

1 - Questão Ambiental: Se aprovado, causará grande impacto ao ambiente natural da região: formarão uma barreira artificial impedindo a passagem dos ventos para a cidade e da luz do sol para a vizinhança, aumento da produção de esgoto cloacal que na região é ligado ao pluvial.

2 - Questão Urbanística: Problemas de trânsito pela Av. Padre Cacique, que já terá aumento de fluxo de automóveis pela inauguração do Barra Shopping Sul.

3 - Vocação da Orla: Lazer e recreação é a vocação de qualquer orla no mundo. A construção do empreendimento inviabilizaria a implantação de um grande Parque, que é um anseio da população, independente de classe social. A Orla do Guaíba pertence a toda população da cidade.

4 - Questão Ética e Legal: O empreendedor quando adquiriu o terreno em leilão, pagou um valor mais baixo por estar impedida por lei municipal a construção de prédios residenciais na área. Agora quer que se mude a lei para auferir maiores lucros. Caso a lei seja alterada, o município estará sendo irresponsável com as pessoas que morarão ali.

Informe-se

Links de blogs e sites para obter maiores informações sobre o projeto Pontal:

POA Vive: http://poavive.wordpress.com/
Amigos da Gonçalo de Carvalho:
http://goncalodecarvalho.blogspot.com/
Salve o Pampa (editado pelo estudante de jornalismo e ativista político Cristiano Muniz):
http://salveopampa.blogspot.com/
Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural):
http://agapan.blogspot.com/
Artigo no site de arquitetura Vitruvius, de autoria da jornalista e escritora Tania Faillace:
http://vitruvius.com.br/minhacidade/mc234/mc234.asp
Ecoagência Solidária de Notícias Ambientais:
http://ecoagencia.blogspot.com/
Abaixo-assinado virtual:
http://abaixoassinado.org/abaixoassinados/1571

domingo, 9 de novembro de 2008

Governo tucano da 'transparência' ESCONDE incompetência na Segurança Pública

Por Erick da Silva, do Aldeia Gaulesa.

A segurança pública em nosso estado nunca esteve em um momento tão delicado. Se não bastasse a truculência e a tentativa de criminalização dos movimentos sociais por parte do Governo Yeda através do Cel. Mendes, a nova saída para os problemas de criminalidade no Rio Grande do Sul é omitir os dados.

O secretário estadual de Segurança Pública, general Edson Goulart, em uma entrevista à rádio Gaúcha defendeu e justificou a omissão dos dados sobre a violência no Estado. Segundo ele, a não divulgação dos índices de criminalidade faz parte de uma estratégia para melhorar a segurança da população. "O medo é que as ações que estão programando não surtam efeito e que os bandidos comecem a atuar em outras áreas", afirmou o secretário.

Naquela mesma manhã, um grupo de homens armados tentou assaltar um carro-forte em Farroupilha, fazendo dez reféns. Não por coincidência, logo após a entrevista, a emissora repetia informação sobre a morte de dois jovens em uma parada de ônibus em Canoas. O que dá mostras do quão acertada esta sendo esta estratégia de "varrer a sujeira para debaixo do tapete".

A pergunta que fica é, será que na verdade esta opção por esconder os dados da segurança não seria uma forma de admitir a incompetência na área?

Lula incentiva o automóvel e esquece alternativas para transporte coletivo


Montadoras enviam para matrizes quase 5 bilhões de dólares, só em 2008

Duas notícias que sairam hoje nos jornais brasileiros precisam ser relacionadas entre si para darem sentido diverso do que podem representar, se lidas de forma isolada.

São essas:

1) Montadoras enviaram do Brasil para as matrizes, até setembro, US$ 4,8 bi (O Globo)

2) BB socorre montadoras com R$ 4 bi (O Estado de S. Paulo)

Montadoras são as fábricas de automóveis multinacionais que produzem veículos no Brasil, alimentando o nosso rodoviarismo hipertrofiado, seja no transporte de mercadorias pelas estradas, seja no transporte individual e coletivo nas áreas urbanas do País.

O governo Lula já está no sexto ano e ainda não apresentou nenhum projeto concreto para modificar essa situação calamitosa no Brasil.

Automóveis são despejados aos borbotões todos os anos nas cidades e estradas. As cidades estão saturadas de veículos, sem nenhuma política de planejamento centralizado para transporte coletivo urbano alternativo. As estradas são precárias e insuficientes para atender a mobilidade de pessoas e mercadorias, e igualmente não há nada que garanta que em dez anos não estejamos comentando o mesmo problema, apenas agravado pelo completo colapso das cidades e das rodovias.

Enquanto isso, repito, um banco público injeta 4 bilhões nas fábricas de automóveis. País rico e com tudo o mais “resolvido”, acontece isso.

Por Cristóvão Feil, do Diário Gauche.

Família Brigadiana CONTRA os demandos da (des)governadora

Mais uma contribuição da jornalista Tania Faillace a este blog. Na verdade, o RS Urgente já havia publicado na quarta-feira (5/11) uma imagem como essa. O fato é que, ao que parece, os cartazes com o número de suicídios entre brigadianos nos últimos anos estão se multiplicando pela cidade, numa clara demonstração de descontentamento por parte da corporação. Houve relatos de cartazes na rodoviária, no Centro e na av. Aparício Borges.



Uma jornalista minha amiga me mandou as fotos em anexo. Eis uma categoria de servidores a ser trabalhada - desde que superado o foco atual - profissionais que são pagos com nossos impostos para nos proteger, e são desviados de suas funções para agirem como jagunços a serviço de interesses espúrios.

Isso só pode agir como elemento de grave perturbação a seu desempenho, estima própria e integração social, e, conseqüentemente, a situações de estresse incontrolável e auto-destrutivo.

Os números são impressionantes.

Os grupos que se pretendem progressistas, têm muita responsabilidade nisso, porque há a tendência a fingir que não há pessoas debaixo das fardas – daí que as pessoas sob elas ficam isoladas e à mercê dos caprichos lá de cima.

Barragens de Jaquari e Taquarembó: CRIME AMBIENTAL do governo

Artigo publicado no sítio do Semapi-RS Sindicato, sobre as barragens de Jaquari e Taquarembó, que afetarão diretamente o bioma pampa (grifos meus).

O governo federal e o estadual do Rio Grande do Sul vêm anunciando a construção de duas de cerca de uma dúzia de barragens na bacia do rio Santa Maria, no bioma Pampa: as do arroio Jaguari (municípios de Lavras do Sul e São Gabriel) e Taquarembó (municípios de Dom Pedrito e Lavras do Sul). Essas barragens, que inundarão áreas importantes quanto à biodiversidade e a presença de espécies endêmicas, servirão para disponibilização de água para irrigação do arroz, primordialmente. A cultura de arroz gera outro impacto, ao eliminar áreas de preservação permanente - APPs, localizadas nas várzeas fluviais. Portanto, as barragens geram um duplo impacto: pelo alagamento de áreas com grande biodiversidade e pela ocupação com o arroz de APPs. Recentemente foram apresentados os Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) desses empreendimentos. Chamam a atenção a má qualidade, as omissões, e as falhas diversas que apresentam o que, por si só, seriam mais que suficientes para torná-los inaceitáveis.

Serão mais de 1.132 hectares de florestas de galeria que deverão ser suprimidas ou sucumbirão com estas duas obras. Uma fauna raríssima e ameaçada, e as florestas mais contínuas (Matas em Galeria) da região do Pampa desaparecerão. Na área prevista para o alagamento das barragens 1.579.106 árvores nativas deverão ser suprimidas.

Leia texto na íntegra.

sábado, 8 de novembro de 2008

Delineia-se a política da ORLA e do APARTHEID geográfico-social


Artigo da jornalista e escritora Tania Jamardo Faillace, companheira de lutas contra o Pontal do Estaleiro (e demais sem-vergonhices que tentam armar pra cima do POVO).

Ao que parece, a questão da orla vai-se estender por todo o novo governo Fogaça, e os interesses do governo e dos vereadores atuais coincidem:

mega-projetos entremeados de áreas de lazer, que obviamente, serão adequadas à ocupação por classes abonadas, e obstaculizadas às classes populares, uma vez que, em todas as ocasiões em que assuntos correlatos foram e são discutidos, a grande preocupação são as populações faveladas, chamadas de "marginais, baderneiras, criminosas, e sujas".

Assim, no meu entender, nossa proposta do parque ecológico, que teria por funções concomitantes, a construção de uma proteção vegetal termo-climática para a cidade a sua volta, e a promoção social, com incentivo à educação da juventude de baixa renda, e possíveis núcleos de geração de trabalho e renda, está completamente fora da questão na ótica das elites governantes.

Acho, pois, necessário, que se reserve um espaço e um tempo para discutir e acertar relógios a esse respeito, com ambientalistas, geógrafos, biólogos, educadores sociais, e estudantes de todas essas áreas, com participação de elementos das comunidades locais, inclusive do antigo núcleo de pescadores.

Sabemos que a principal reivindicação das classes abonadas em relação à orla do Guaíba, é que não sejam perturbadas em seus locais de moradia e lazer por elementos "estranhos" e "poluidores".

Ao que parece, na visão política da administração, o desejável é confirmar o apartheid social de uma forma segura, isto é, com o estabelecimento de zonas estanques para uma e outra classe – por aqui, não há risco de se estabelecerem assentos de brancos e pretos, pobres e classe média, nos ônibus, uma vez que estes só servem às pessoas de baixa renda.

Ou nos mexemos agora, ou nos calamos para sempre.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bancada do PT repudia uso de 'aparato repressivo estatal' na votação do PONTAL


Martha Pozueco, assessora de imprensa da vereadora Margarete Moraes (líder da bancada petista no parlamento portoalegrense), divulgou ontem (7/11) a seguinte nota de repúdio em relação à possibilidade da presença da tropa de choque e da cavalaria da BM no próximo dia 12/11 na Câmara, para quando está marcada a votação do polêmico projeto de lei que altera a legislação municipal com o intuito de possibilitar a construção do mega-empreendimento Pontal do Estaleiro, na zona Sul da capital.

A Bancada de vereadores e vereadoras do Partido dos Trabalhadores – PT, considerando que:

1º - a Câmara Municipal de Porto Alegre tem sido um exemplar espaço democrático de manifestação dos plurais interesses – consensuais ou contraditórios – da sociedade Porto-Alegrense;

2º - mesmo nos momentos de grande conflito com o Executivo ou com segmentos do poder econômico da cidade, como ocorreu nas gestões das presidentes Margarete Moraes (2004) e Maria Celeste (2007), na votação do Previmpa e outros projetos polêmicos, sempre foi garantida a manifestação democrática de todos, sem recorrer ao aparato repressivo estatal nem cercear a manifestação do contraditório;

3º - no dia 12 de novembro do presente, irá à votação Projeto Pontal do Estaleiro que, como se sabe, envolve interesses antagônicos e polêmicos de natureza econômica e ambiental,

vem manifestar sua convicção e desejo de que o Presidente atual, Vereador Sebastião Melo, homem de conhecida trajetória na luta contra o autoritarismo, mantenha a tradição democrática da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, garantindo o livre acesso às galerias no dia da votação sem recorrer ao uso da força policial e a outras formas de constrangimento da manifestação popular.

Na foto (Elson Sempé Pedroso/CMPA), Margarete Moraes e Carlos Todeschini, vereadores da bancada petista, no plenário da Câmara Municipal.

Enquanto BM treina REPRESSÃO, cidade de Farroupilha é refém do CRIME


Onde estava a Brigada Militar do coronel Mendes, ontem?

Ontem, enquanto uma quadrilha de malfeitores tornava refém uma cidade de porte médio no RS, e antes já havia cometido assaltos em dois outros municípios, agentes do choque da Brigada Militar treinavam para reprimir com violência os movimentos populares e as manifestações legítimas e ordeiras da cidadania.

A polícia da governadora Yeda Rorato Crusius, dirigida pelo truculento e semi-analfabeto coronel Mendes (filiado ao PSDB e candidato a deputado em 2010, ele que já concorreu sem êxito pelo PP, em pleitos anteriores), se prepara para agir como braço de repressão política contra qualquer manifestação contrária ao atrapalhado governo tucano no Estado.

Enquanto isso, a bandidagem faz do Rio Grande do Sul o paraíso que pediram ao diabo.

Confirmado APARATO repressivo na votação do projeto Pontal

Ontem à tarde (6/11), durante a sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador da bancada do PT me passou a informação de está sendo montado um aparato repressivo, com o emprego da Tropa de Choque e da cavalaria da Brigada Militar, para o dia da votação do projeto que altera a legislação do município com vistas a viabilizar a construção do empreendimento Pontal do Estaleiro, conforme já havíamos adiantado neste blog na segunda-feira (3/11).

Nesta ocasião, o vereador Haroldo de Souza (PMDB) tentou intimidar o companheiro Rodolfo, do DCE/UFRGS, após uma reunião de lideranças de movimentos sociais, estudantis e ambientalistas com o presidente da Câmara, Sebastião Melo (PMDB). Haroldo ainda ameaçou mandar reprimir com violência um novo protesto no plenário.

Pois ontem, depois da sessão de esclarecimentos do secretário municipal de Planejamento, Ricardo Gothe, e de técnicos da prefeitura (que, ademais, só enrolaram e não explicaram NADA), houve um princípio de tumulto provocado pelos próprios vereadores.

Bate-boca no final da sessão

Após as explicações (furadas) da turma da prefeitura, os vereadores usaram a tribuna para seus pronunciamentos habituais. O vereador Comassetto (PT) demonostrou preocupação em seu discurso a respeito da situação de escolas municipais na zona Sul da capital. Em seguida, Todeschini (PT) proferiu fala contrária ao projeto Pontal.

Na seqüência, Ervino Besson (PDT), da base fogacista, usou a tribuna para criticar de forma hostil os edis do PT. "Eles não se deram conta que a população reelegeu, pela primeira vez na história de Porto Alegre, um prefeito. José Fogaça foi reeleito por diferença de 150 mil votos, graças ao trabalho realizado pela atual administração.", esbravejou o pedetista. O pronunciamento rendeu um bate-boca na saída do plenário da Câmara, que quase descambou para a agressão física entre os vereadores Comassetto e Besson.

Haroldo, o destemperado

Nisso, alguns dos presentes no saguão da Casa (eu, entre eles) começaram a questionar a postura dos parlamentares, gritando "BAIXARIA!" e repreendendo-os por essa atitude infantil, que não condiz com o decoro parlamentar. Aí o vereador Haroldo tinha de se meter: começou a insultar os cidadãos, me chamando, inclusive, de DESORDEIRO, em clara falta de compostura.

"Tu vai gritar com a tua mãe, e não comigo!" (sic), bradou o locutor-parlamentar. "Aqui ninguém vai gritar não! Nem DESORDEIRO e nem SENHOR DE IDADE! O senhor vai gritar com outro, e não comigo!", e saiu andando. Lançou ainda alguns insultos enquanto se afastava.

Enquanto isso, Comassetto e Besson continuavam o bate-boca no caminho para os gabinetes. O grupo de ambientalistas presente na Câmara cobrou dos vereadores uma postura uma mais adequada com o decoro parlamentar.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ambientalistas entregam documento sobre hidrelétrica ao Ministério do Meio Ambiente

Na tarde de ontem (05/11), representantes da Assembléia Permanente de Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (Apedema) entregaram um documento à Secretária Executiva do Ministério do Meio Ambiente (MMA), sobre a hidrelétrica de Pai Querê, prevista no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal.

Um dos assuntos tratados no encontro foi a questão das fragilidades ambientais da área prevista para a hidrelétrica, em licenciamento pelo Ibama, em especial a quantidade exorbitante de araucárias (181 mil) que seriam suprimidas, além dos 4 mil hectares de florestas dos remanescentes mais contínuos da Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Além disso, existe grande chance de extinção de espécies de peixes endêmicos da região e que são restritos a corredeiras. Em menos de dez anos, mais de 15 espécies novas foram descritas para o rio Pelotas, onde está prevista a obra.

Leia o texto completo no sítio da Ecoagência.

Apoio total e irrestrito à LUTA dos estudantes de Caxias!


Na noite de 28/10, cerca de dois mil estudantes da Universidade de Caxias do Sul (UCS) realizaram um grande ato pacífico contra o aumento de mensalidades. DCE, DAs e movimentos sociais (MTD, Marcha mundial de mulheres, Sindiserv, Sindicanto dos Metalúrgicos e o Movimento Hip Hop) se manifestaram em uníssono, reivindicando ações em prol dos estudantes: 0% de reajuste das mensalidades, Casa do Estudante e Creche universitária.

Leia a notícia na íntegra no sítio do DCE/UCS.

Secretário municipal presta esclarecimentos sobre o PONTAL hoje na Câmara

Está marcado para esta quinta-feira (6/11), às 14h30min, o comparecimento do secretário do Planejamento Municipal Ricardo Gothe na sessão ordinária da Câmara Municipal de Porto Alegre. A presença de Gothe no Legislativo porto-alegrense, para prestar esclarecimentos sobre o projeto Pontal do Estaleiro, atende requerimento apresentado pelo vereador João Antonio Dib (PP) aprovado pelo plenário em 15 de outubro.

Em sua solicitação, Dib lembrou que o Pontal do Estaleiro, por estar tramitando na Casa sob força do Art. 81 da Lei Orgânica do Município (Regime de Urgência), ficou impedido de maiores estudos sobre o que um empreendimento do porte como o previsto poderá causar na região e na Cidade, principalmente no que se refere ao impacto ambiental. Conforme o requerimento aprovado, Gothe poderá se fazer acompanhar por três técnicos.

Fonte: http://www2.camarapoa.rs.gov.br/default.php?reg=7540&p_secao=56&di=2008-11-06

Ficou bonita essa foto...


Eu e minha mulher, Luiza, indo para uma sessão de panfletagem na Feira do Livro, domingo último (2/11). Faixa inspirada na frase eternizada em paredes da UFRGS: Para que(m) serve teu conhecimento?

Carlos Urbim CONTRA o Pontal

Declaração de apoio do jornalista e escritor Carlos Urbim à luta CONTRA o nefasto projeto Pontal do Estaleiro:

Cravaram antes um muro da vergonha no coração da cidade. Mataram, para quem passa por ali, a visão da água. Depois estreitaram o caminho fluvial para plantar asfalto e concreto administrativo. Deixaram, ao menos, um rastro de verde no Parque Marinha. Agora, por absoluta ganância, querem invadir a ponta do estaleiro. Porto Alegre não merece tanta agressão. O Guaíba, estrangulado, precisa respirar. E todos os moradores querem aproveitar - sem muros, barreiras e espigões - a beleza única do nosso estuário.

Movimento social PORTUGUÊS está atento à luta contra o 'projecto' PONTAL

Cesar Cardia, do Fórum Municipal de Entidades, me passou a informação de que o Movimento Apartidário da Cidade de Loulé, em Portugal, nos parabeniza pelo protesto de quarta-feira da semana passada (29/10):

Resistir e persistir é preciso. Caros amigos de Porto Alegre saibam que são um exemplo de cidadania para todo o mundo. Numa era em que a democracia representativa é corroída pela indiferença cívica é um prazer vê-los lutar pela defesa dos direitos dos cidadãos e pelo interesse geral das populações dessa maneira.

Governo Yeda quer suspender eleição na Fepam

O Palácio Piratini recomendou à direção da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) a suspensão da eleição para escolher o novo diretor-técnico da entidade. O chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius, José Alberto Wenzel, encaminhou na terça-feira (4/11) mensagem ao secretário do Meio Ambiente, Francisco Simões Pires, e à diretora da Fepam, Ana Maria Pellini, pedindo a suspensão do processo eleitoral, pelo qual os funcionários devem escolher o novo diretor-técnico.

Um grupo de técnicos da entidade está mobilizado para eleger Flávio Wiegand; ele foi um dos funcionários afastados pela direção da Fepam, no caso da duplicação da Aracruz, por não ter concordado em assinar parecer a favor da Licença Prévia no caso. Esse fato foi um dos motivadores do processo judicial de improbidade administrativa contra a atual diretora Ana Pellini. A eleição está marcada para ocorrer em dois turnos, nos dias 10 de novembro e 1º de dezembro. Depois desta etapa, há ainda o processo político para garantir a nomeação do eleito. Yeda Crusius quer enterrar essa iniciativa.

Leia mais aqui.

Votação do PONTAL marcada para o dia 12/11

Mesa diretora e lideranças partidárias decidiram, em reunião realizada na tarde de ontem (5/11), manter a data de 12 de novembro para votação do projeto que trata da reurbanização do Pontal do Estaleiro. Apenas a bancada do PT manifestou voto contrário à decisão. O presidente da Casa, vereador Sebastião Melo (PMDB), lembrou que é necessário preparar a votação da matéria com precaução. "Tomaremos as medidas para uma sessão segura e que tenha representações de todos segmentos interessados."

Tenho ouvido alguns boatos de que teremos até TROPA DE CHOQUE da Brigada e controle de acesso das pessoas ao plenário no dia da votação do projeto Pontal. Na última segunda-feira (3/11), quando uma comissão de representantes contrários ao empreendimento foi recebida pela presidência da Câmara, a entrada principal da Casa estava sendo vigiada por dois guardas municipais, sendo que um deles com detector de metais.

Não é de se admirar que queiram garantir essa votação na base da FORÇA. Não podemos permitir que isto aconteça. Para o dia 12, precisamos da participação de TODOS os que defendem o bem de Porto Alegre numa grande mobilização CONTRA o projeto Pontal do Estaleiro.

Vamos mostrar a eles que NÃO nos intimidamos com ameaças e violência! A opinião pública está atenta à nossa causa e certamente repudiará qualquer tentativa de repressão ao nosso movimento. Junte-se a nós e venha exercer pacificamente sua CIDADANIA! JUNTOS construíremos a VITÓRIA!

Treinamento da BM para "controle de distúrbios civis"


A Brigada Militar realizou ontem pela manhã (5/11) um treinamento com três Batalhões de Operações Especiais (BOE), de Passo Fundo, Porto Alegre e Santa Maria, no parque Saint Hillaire, em Viamão. Segundo o comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, foram feitas “atividades de controles de distúrbios civis visando padronizar técnicas policiais”. No treinamento, informa a Brigada Militar, foram utilizados cavalos, cães e dois helicópteros.

Quem estiver planejando “ir encher o saco” da governadora ou do prefeito será cobaia das “técnicas policiais padronizadas” aperfeiçoadas pela Brigada Militar.

Alguém aí falou de Estado policial?

Ou de um Estado covarde e cúmplice do autoritarismo?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Vereador Haroldo AMEAÇA estudante após reunião na Câmara


Comissão formada por representantes do Fórum Municipal de Entidades e estudantes da UFRGS, liderada pelo vereador eleito Pedro Ruas (PSOL), foi recebida hoje à tarde na Câmara Municipal por seu presidente, Sebastião Melo (PMDB), e pela Mesa Diretora da Casa, para tratar do projeto de alteração da legislação portoalegrense que possibilitará a construção do Pontal do Estaleiro, na zona Sul de Porto Alegre. A vereadora eleita Fernanda (PSOL), que obteve a reunião com Melo, não foi liberada pelo banco onde trabalha e não pôde comparecer.

Além de Melo, participaram da audiência os vereadores Carlos Todeschini (PT), João Carlos Nedel (PP), Ervino Besson (PDT), Haroldo de Souza (PMDB) e Beto Moesch (PP). O presidente do Legislativo municipal sugeriu à comissão que seja elaborado e protocolado requerimento junto à Câmara. No documento, que será redigido e entregue até amanhã, entidades, estudantes e PSOL solicitam o adiamento da votação do Projeto de Lei Complementar do Legislativo 006/2008 para 2009, juntamente com as discussões do novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA).


Haroldo provoca estudante e faz ameaça

Na saída da reunião, um fato inusitado ocasionou registro de ocorrência na 1ª DP, do Centro. O vereador Haroldo de Souza (PMDB) dirigiu-se a Rodolfo Mohr, coordenador-geral do DCE/UFRGS, e repreendeu o estudante por supostos excessos cometidos pelos manifestantes em protesto na última quarta-feira (29/10), no plenário da Câmara. O edil perdeu a compostura, ao afirmar que usaria a FORÇA para reprimir uma nova manifestação na Casa.

Depois, exaltando-se ainda mais, acusou o estudante de ofendê-lo durante o protesto e, com o dedo em riste, disse raivosamente que reagiria com VIOLÊNCIA em caso de novo ato no Legislativo municipal. A ameaça foi registrada por Rodolfo na Polícia Civil, no boletim de ocorrência nº 20279/2008. O delegado iniciará um inquérito policial para averiguar a denúncia.

Fotos: Câmara Municipal de Porto Alegre

Reunião sobre o PONTAL hoje na Câmara

O presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, vereador Sebastião Melo (PMDB), recebe na tarde desta segunda-feira (3/11) uma comissão formada por estudantes liderados pela vereadora eleita pelo PSOL, Fernanda Melchiona, e por ambientalistas e lideranças comunitárias do Fórum Municipal de Entidades. O encontro servirá para que Melo dê algumas informações sobre o projeto Pontal do Estaleiro. A proposta não tem data para ser votada pelo Legislativo porque está na Justiça. A reunião acontecerá às 13h30min no Salão Nobre da Presidência.

sábado, 1 de novembro de 2008

Repercussão do movimento contra o Pontal na WEB

Escreve Guga Türck, do blog Alma da Geral (fomos citados como exemplo de blog de mobilização, que afudê!):

Outra situação de luta dos últimos meses se refere à situação fundiária urbana de Porto Alegre. Sem maiores explicações, há um megaprojeto pretendendo transformar a massa falida do Estaleiro Só, às margens do Lago Guaíba, em um grande empreendimento imobiliário. As explicações são aquelas esfarrapadas de sempre, dizendo que se vai qualificar a localização, que o acesso será irrestrito, que se aumentará a oferta imobiliária, haverá espaço de convivência comum... Ou seja, conversa pra boi dormir e acordar depois com os espigões levantados pra meia dúzia de afortunados porto-alegrenses. As questões ambientais, como sempre, são relevadas a segundo plano quando o poder econômico resolve agir, e não se tem um estudo de impacto ambiental que não seja dos próprios proponentes do projeto. E o mais interessante é que a maioria dos vereadores da Câmara Municipal é contrária ao projeto, mas este insiste em entrar em pauta por lobby sabe-se lá de quem (imagina de quem, né?). Bom, o fato é que há dois dias houve manifestação na câmara em virtude da votação do projeto. A pressão popular surtiu efeito e o pleito foi barrado. Fiquemos de olho através de mais um blog de mobilização:

- http://salveopampa.blogspot.com/

Leia mais aqui.

Juremir critica o PONTAL em sua coluna no Correio do Povo

Artigo de Juremir Machado da Silva (com grifos meus).

O Pontal da Janelinha

Continua a polêmica do Pontal do Estaleiro. Acontece que a turma dos camarotes sempre quer andar na janelinha. É a síndrome de cachorro de madame. Tem gente bem aquinhoada querendo se apropriar de uma parte da vista do Guaíba. Dá para entender este desejo de ficar em pé na frente dos outros. Afinal, é o que mais acontece. Até em show. É a lei do mais alto. Os ambientalistas são contra. A esquerda atuante apanha, mas não cede. Qualquer um que tenha uma mínima idéia de coletividade, mesmo sem ser militante de qualquer coisa, também não é favorável. A votação na Câmara de Vereadores, finalmente suspensa, fora adiada para 12 de novembro. Depois das eleições. Mas antes dos novos mandatos. Que coincidência! Por que mesmo se deveria aceitar a construção de cinco edifícios de 12 andares, um hotel, centro de convenções e prédios para escritórios na beira do rio? Quem vai ganhar com isso? Não haveria uma maneira de utilizar a área com um sentido mais público?

Em outros tempos, essa pergunta seria considerada anacrônica ou como o sinal de um comunismo patético. Agora, porém, quando o Estado deve comprar bancos para salvar o capitalismo das suas crises cíclicas, vale o atrevimento. A discussão a respeito do projeto passa por elementos contraditórios. O primeiro é que até agora não houve propriamente discussão. Ao menos, quanto à posição de todos os vereadores, que terão de mudar a lei para garantir assentos privilegiados a quem puder pagar muito para ler o jornal contemplando o pôr-do-sol no Guaíba sem ninguém na frente. Pelo que li, também não existe realmente um estudo de impacto ambiental. Embora esses dois elementos sejam relevantes, vou desprezá-los. Ficarei com uma questão bem mais rasteira: por que deixar um espaço tão espetacular restrito ao uso de poucos?

Ali, por exemplo, poderia ter sido construído o sambódromo. Ah, não? Era só uma idéia. A Vila Cai-Cai, lembram muitos participantes de associações comunitárias, foi retirada do seu local de origem devido à proibição de se morar nessa área de preservação. Faz sentido. Os defensores do projeto Pontal do Estaleiro certamente têm razões estéticas "socialmente neutras": favela enfeia a orla de um rio, já os condomínios de ricos, evidentemente, embelezam. A orla deve ser de todos. Quanto mais intocada, melhor. O sujeito tem de usar a orla para correr, brincar, pensar na vida, filosofar e refletir sobre a complexa relação entre natureza e cultura. Basta. De repente, até escreve um bom livro sobre o assunto. Agentes imobiliários, empresários da construção civil e toda sorte de idealizadores de "utopias" urbanas para faturamento pessoal ou tribal devem ser mantidos longe do rio. Se for o caso, deve-se fazer uma corrente para abraçar e proteger a orla dos tubarões que compram por pouco para vender por muito.

Porto Alegre defendeu-se durante anos da invasão dos farrapos, que só tomaram a orla do Guaíba há pouco tempo. Pode, portanto, resistir novamente, agora a esse ataque desde dentro. É claro que os autores do projeto falam em estudos conseqüentes e em dar uma nova cara para a cidade. O tripé reuniria a Fundação Iberê Camargo, o novo shopping e o pontal. Cara nova é sempre um shopping mais alguma coisa. Porto Alegre já é a capital brasileira dos centros comerciais assépticos. Bate até São Paulo. Cinema em Porto Alegre está quase inviável. É quase tudo em shopping. Qual a relação? Simples. A orla não deve ser um shopping.

CORREIO DO POVO, 01/11/2008.

Senadora TUCANA quer acabar com meia-entrada nos feriados e fins de semana

Um projeto em discussão no Senado Federal pode alterar a forma como a carteirinha de estudante é utilizada atualmente para a compra de ingressos pela metade do preço. A proposta também vale para o benefício concedido às pessoas com mais de 60 anos de idade.

Entre outras coisas, o texto estabelece que a meia-entrada não valerá nos cinemas em finais de semana e feriados locais ou nacionais. Para todos os outros eventos, como peças teatrais e shows, a meia-entrada não valerá de quinta-feira a sábado, se o projeto for aprovado. A proposta, que prejudica estudantes de todo país, é da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). Típico de políticos desse partido, como é o caso de Yeda Crusius e a ação judicial CONTRA o piso nacional de R$ 950 para os professores da rede pública.

Continue lendo aqui.

Posição CONTRÁRIA ao Pontal em editorial do CP

Pontal do Estaleiro: um projeto em xeque

Agiu bem o vereador Sebastião Melo, presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, em acordo com as demais lideranças da Casa, na sua decisão de suspender a votação do projeto que permitiria a construção de grandes prédios residenciais e comerciais, o Pontal do Estaleiro, na área do antigo Estaleiro Só, às margens do Guaíba, na zona Sul da Capital. Inicialmente prevista para o dia 12 de novembro, foi adiada para esperar o resultado de uma ação judicial impetrada pelo vereador Beto Moesch (PP) no Tribunal de Justiça.

O imbróglio jurídico e político em que se transformou essa questão suscita a necessidade de muitos esclarecimentos. Não é possível que interesses privados se sobreponham ao interesse público de forma condenável. Assim, alterar a atual legislação municipal apenas para atender aos interesses do proprietário que adquiriu a área em leilão por preço módico significa dar a ele um potencial de enriquecimento não propiciado de forma igual aos que poderiam ter participado da disputa, pois todos sabiam das limitações existentes para uso do local. Se retiradas as limitações, os vereadores estariam ferindo um dos princípios basilares do poder público, a igualdade entre os cidadãos e administrados, com a lei deixando de ser para todos. Estariam beneficiando um único empreendedor, que teria investido um valor muito baixo para ter a área e agora poderia, com o apoio da Câmara, dar-lhe destinação diversa e com lucratividade estratosférica. Numa comparação, é como se um comprador adquirisse um Fusca e recebesse uma Mercedes.

A sociedade civil já está se mobilizando e parcela significativa dela demonstra que não concorda com o conteúdo da proposta de construção de espigões na antiga área do Estaleiro Só, com prejuízo para muitos e benefícios para poucos, inclusive com reflexos evidentes na questão ambiental. Resta à Câmara ouvir a população e suas entidades representativas e tomar uma decisão que preserve o interesse público. Para que assim se dê, nada justifica que uma questão de tal magnitude seja tomada pelos representantes da atual legislatura, com contagem regressiva para o final do mandato. A transparência necessária para decidir uma questão tão complexa e polêmica não se coaduna com açodamentos e votações no apagar das luzes.

CORREIO DO POVO, 31/10/2008

Geógrafos juntam-se à LUTA contra o Pontal

Ao presidente e vereadores da Câmara de Porto Alegre.

A AGB-PA – Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção Porto Alegre, entidade que congrega os profissionais (bacharéis e licenciados) e estudantes de Geografia, vem, manifestar-se com relação à discussão que vem ocorrendo, na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, com o objetivo de modificar a Lei Complementar 470 /2002. A referida mudança diz respeito aos interesses específicos daqueles que adquiriram o lote relativo ao antigo Estaleiro Só, em modificar a regulamentação do espaço urbano vigente com vistas à construção de interesse privado.

A área em questão corresponde à orla do Guaíba, a Lei Complementar 470/02 ao PDDUA define que essa área deve ter uso social, ou seja, que as construções, para além de estarem adequadas à preservação e restauração da orla em termos paisagísticos, devem atender ao interesse cultural e turístico. Trata-se de uma área em que é proibida a construção para uso residencial.

O nosso posicionamento é contrário à aprovação desta mudança que tramita na Câmara Municipal através do Projeto de Lei Complementar do Legislativo, PLCL 006/08 e objetiva alterar a Lei Complementar 470/02, propondo modificações no regime urbanístico da área. Nosso posicionamento está apoiado no seguinte:

1. A orla do Lago Guaíba é um patrimônio paisagístico natural e cultural de Porto Alegre. Portanto, as áreas do entorno do Lago Guaíba são, por legislação específica, consideradas de interesse social e ambiental e, assim, devem ser restauradas e utilizadas para fins sociais.

2. A mudança da legislação está sendo feita sem ampla discussão. Esse interesse emerge após a negociação feita a partir da compra da área através de Leilão em 2005 pelo o grupo SVB Participações cujo projeto se diferencia do uso indicado em legislação e é contrário ao interesse social e ambiental presente no PDDUA de Porto Alegre.

3. O processo em curso, que leva a Câmara Municipal a discutir um projeto que contraria a legislação do município, tem severas restrições por razões amplamente divulgadas. Estas, para citar alguns exemplos, são de ordem ambiental (desconstrução do sistema local provedor de balanço energético favorável ao entorno e pressão sobre o lago em termos de dejetos lançados direta ou indiretamente) e de ordem social (privatização de espaços que por legislação são públicos e assim devem ser seus usos, causando limitação de acesso dos portos alegrenses a significativas áreas de lazer e aproximação ao lago). Enfim, privatização da orla do lago.

Para finalizar, é necessário resgatar a memória de outras propostas já discutidas, em outros momentos históricos, que pretendiam transformar a orla do Guaíba segundo os interesses de usos privados e que foram efetivamente rejeitadas pela população, através de ampla discussão social, comunitária, urbanística, arquitetônica e ambiental. Nessa ocasião, os Vereadores de Porto Alegre foram sensíveis à proposição demandada para esse espaço – uso social e restauração ambiental. É fruto desse processo desde os anos de 1980 a construção do PDDUA.

Estamos, nesse momento, revivendo a mesma pressão exercida pela demanda privada. A solicitação da Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção Porto Alegre, é de que essa Câmara de Vereadores não aprove mudança na legislação que comprometa a construção social mais ampliada dos espaços de Porto Alegre.

Nelson Rego, Diretor da AGB-PA – Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção Porto Alegre, RS.

Documento elaborado por Dirce Suertegaray, Cristiano Rocha e Paulo Soares, membros da Comissão de Assuntos Técnicos da AGB Porto Alegre.