quinta-feira, 13 de novembro de 2008
E no panfleto da Azenha...
Encomendada pelos deputados pesquisa divulgada ontem norteará trabalho do parlamento
O gaúcho pouco gosta de política e desconhece os projetos aprovados pela Assembléia Legislativa, mas reconhece a importância da democracia. Esses são alguns dos resultados da pesquisa de opinião pública “Os Gaúchos e a Política”, divulgada ontem pela Assembléia.
O estudo foi encomendado pela Mesa Diretora com o objetivo de captar o que o cidadão pensa sobre ação parlamentar, cultura democrática e situação do Estado. A apresentação foi feita pelos coordenadores do projeto, os cientistas políticos Benedito Tadeu César, do Laboratório de Observação Social (Labors), da UFRGS, e Juliano Corbellini, do Instituto DataUlbra. A pesquisa ouviu 2.896 pessoas entre 5 e 16 de setembro em 79 municípios.
Segundo o presidente da Assembléia, Alceu Moreira (PMDB), o levantamento será feito anualmente para orientar os trabalhos da Casa. O custo da pesquisa foi de R$ 100 mil.
Muito conveniente divulgar essa imagem de que o gaúcho não gosta muito de política e absolutamente não acompanha (e, por conseguinte, não cobra) seus representantes eleitos, já que apenas legitima o conformismo social e o conservadorismo expresso por gestões tacanhas como as de Fogaça e Yeda e por parlamentos eivados de corrupção e sem-vergonhice (e isso em todos os níveis, federal, estadual e municipal).
Assim, desconsidera-se a existência de uma sociedade civil organizada, que vem se mobilizando para defender os interesses de sua comunidade, muitas vezes contrários ao poderio econômico e às elites locais. Cabe a nós, cidadãos, construirmos uma alternativa ao modelo representativo – que, ademais, já não nos representa de verdade (como vimos ontem na votação do Pontal) –, baseada na organização de indivíduos para a participação efetiva nos processos de decisão política e de cidadania. E, muito importante: independente de orientação partidária.
Acho que assim poderemos chamar a atenção das pessoas para nossas bandeiras, e chamá-las para LUTAR junto conosco. Porto Alegre não aceitará calada que continuem a depredar seu ambiente natural e a deteriorar sua qualidade de vida! Faremos com que nos ouçam.
Ontem, a Câmara foi a BOMBONERA!!!

Pelos chiliques que alguns vereadores deram durante a longa (OITO horas) sessão de discussão e votação do vergonhoso projeto de lei complementar do Legislativo 006/2008 – que viabiliza a construção do famigerado Pontal do Estaleiro – deu para ver que eles sentiram nosso "bafo quente na nuca", como escreveu o Juremir em sua coluna no CP de anteontem (11/11).
Para vocês terem idéia do baixo nível de alguns de nossos representantes eleitos, o sr. vereador Haroldo de Souza (PMDB) fez sinais obcenos e me mandou, sem nenhum rodeio, TOMAR NO CU. Ele se sentiu ofendido porque estávamos chamando-o de mercenário. Perdeu as estribeiras e mostrou que não possui aptidão social para ser parlamentar. Há duas semanas, esse cidadão vem me ameçando e me desrespeitando, dizendo que sou desordeiro.
Outro que perdeu a compostura foi Elias Vidal (PPS), que se emocionou além da conta na defesa do Pontal do Atraso. Ficou exibindo imagens supostamente tiradas da área do Estaleiro Só, comparando-as com países africanos e com o Nordeste brasileiro. Noutro momento, disse que não se importava com o futuro da cidade: queria benefícios AGORA, num raciocínio de estreiteza imediatista muito semelhante ao das empresas de construção civil, em sua permanente agressão ao meio ambiente e à qualidade de vida nas cidades.
E ainda por cima fomos chamados de "escória da sociedade" pelo vereador Nereu D'Ávila (PDT). É pouco ou quer mais?!
Sábado, às 18 horas, tem reunião no DCE/UFRGS (av. João Pessoa, 41), para decidir as estratégias de ação para a segunda etapa desta batalha: pressionar o prefeito Fogaça para que VETE o projeto na íntegra. Ontem, os vereadores pontaleiros e seus sustentadores empresários da construção obtiveram apenas uma vitória parcial; a luta, porém, continua: na verdade está apenas começando!A força da bancada do cimento
O setor imobiliário de Porto Alegre está entusiasmado com as possibilidades que o segundo governo Fogaça oferece. O projeto do Pontal do Estaleiro é só o início de uma série de outras obras de grande porte em áreas até então proibidas por questões ambientais e urbanísticas. Sabendo do caráter polêmico do projeto do Pontal, Fogaça moveu as peças para que a votação na Câmara Municipal ocorresse apenas depois das eleições. Agora, com mais quatro anos pela frente, o espaço está mais aberto para as construtoras. O Executivo já enviou projetos ao Legislativo sobre a construção do novo estádio do Grêmio (bairro Humaitá) e novos prédios na área do atual estádio Olímpico (Azenha), e também sobre os projetos de construção do Inter, nas áreas do antigo estádio Eucaliptos e do Beira-Rio. Muitos espigões estão projetados, inclusive à beira do Guaíba. Pelo que está se vendo hoje na Câmara de Vereadores, a bancada do cimento está forte.
Câmara COMPRADA aprova PONTAL da VERGONHA
Com a aprovação, entidades e a bancada do PT planejam entrar com uma Ação Popular na Justiça, exigindo a realização de um plebiscito para consulta à população. Agora, o projeto de lei complementar do Legislativo 006/2008 (clique aqui para visualizá-lo na íntegra) será encaminhado ao Executivo para sanção (ou veto) do prefeito José Fogaça.
Votaram a favor do Pontal do Estaleiro:
Alceu Brasinha (PTB),
Almerindo Filho (PTB),
Bernardino Vendruscolo (PMDB),
Dr. Goulart (PTB),
Elias Vidal (PPS),
Ervino Besson (PDT),
Haroldo de Souza (PMDB),
João Carlos Nedel (PP),
João Antônio Dib (PP),
João Bosco Vaz (PDT),
José Ismael Heinen (Demo),
Luiz Braz (PSDB),
Maria Luiza (PTB),
Maristela Meneghetti (Demo),
Maurício Dziedricki (PTB),
Mauro Zacher (PDT),
Nereu D'Avila (PDT),
Nilo Santos (PTB),
Sebastião Melo (PMDB) e
Valdir Caetano (PR).
Contrários ao projeto foram os vereadores Adeli Sell (PT), Aldacir Oliboni (PT), Beto Moesch (PP), Carlos Todeschini (PT), Cláudio Sebenelo (PSDB), Dr. Raul (PMDB), Guilherme Barbosa (PT), José Valdir (PT), Marcelo Danéris (PT), Margarete Moraes (PT), Maria Celeste (PT), Mauro Pinheiro (PT), Neuza Canabarro (PDT) e Professor Garcia (PMDB).
Elói Guimarães (PTB) e Maristela Maffei (PCdoB) se abstiveram.
Fonte: Ecoagência.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Yeda autoriza início das obras da barragem Jaguari
"Com os açudes existentes, mais os que serão construídos, poderemos irrigar 270 mil hectares”, anuncia o assistente técnico estadual em Irrigação pela Emater/RS-Ascar, José Enoir Daniel Daniel.
Tanto a barragem de Jaguari como a de Taquarembó vêm tendo seus projetos muito contestados, inclusive por via judicial. Um dos maiores críticos das barragens é o consultor da OEA Antônio Eduardo Lanna, doutor em planejamento e gestão de recursos hídricos. Segundo ele, na verdade, apenas 50 arrozeiros vão ser beneficiados com as obras.
Leia mais na Ecoagência.
Trecho de nota da bancada de vereadores e da executiva municipal do PT
Leia a nota na íntegra.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Ministério Público investiga projeto Pontal
dialogue com o meio ambiente e o Plano Diretor da cidade.
Ana Maria Marchesan, promotora do Meio Ambiente (MP-RS).
O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul instaurou inquérito civil para apurar supostos impactos ambientais que poderão ser causados pelo projeto Pontal do Estaleiro, na orla do Guaíba, em Porto Alegre. O processo foi aberto na sexta-feira, após desarquivamento de uma representação encaminhada no ano passado pelo presidente do Fórum Municipal de Entidades, arquiteto Nestor Nadruz. "Na época, entendemos que não era necessário apurar o caso porque não tinha nenhum projeto em tramitação no Legislativo que tratasse do assunto. Mas, diante desse imbróglio judicial em torno do tema, decidimos desencadear a investigação", explicou a promotora Ana Maria Marchesan, titular do inquérito na Promotoria do Meio Ambiente do MP. Segundo ela, será apurado se o projeto representa algum risco de impacto ao meio ambiente e ao sistema de mobilidade urbana.
Depois de muita polêmica e vários adiamentos de votação, o projeto que prevê a ocupação da área do antigo Estaleiro Só deverá ser votado pela Câmara Municipal na sessão de amanhã. A obra consiste na construção de um prédio comercial composto de 195 conjuntos, outro tipo flat, com 90 unidades, além de quatro edifícios residenciais com 40 metros de altura, 13 pavimentos e 216 apartamentos.
Em visita ao Correio do Povo ontem, integrantes do Movimento Defendo a Orla elogiaram a cobertura do jornal sobre a polêmica e manifestaram total discordância com o projeto proposto pelos vereadores. "O empreendimento trará sérios prejuízos aos porto-alegrenses, tanto na questão ambiental quanto na urbanística", apontou Paulo Guanieri, secretário-geral do Fórum Municipal de Entidades. Os integrantes do movimento pretendem fazer uma grande mobilização nesta quarta-feira (12/11), na Câmara Municipal, durante a votação, para pressionarem os parlamentares a não aprovarem a matéria em plenário.
Movimento Defenda a ORLA! visita a Caldas Júnior
Uma comissão de representantes do Movimento Defenda a Orla visitou na tarde de ontem(10/11) a Empresa Jornalística Caldas Júnior, sendo recebida pelo editor-chefe do Correio do Povo, o jornalista Telmo Flor. O objetivo foi destacar o engajamento do jornal na defesa da lei e da preservação da área como um espaço público. Também foi salientada a adesão ao Movimento de intelectuais, artistas, profissionais de nível técnico, estudantes e professores.
“A posição do jornal é fruto da convicção dos jornalistas e da direção da Caldas Júnior, que optaram em encampar o movimento a partir de editoriais”, anuncia Telmo Flor, ao garantir que “a opinião de uma parcela expressiva da população dá mais estímulo à empresa para prosseguir na divulgação de notícias e de artigos que defendam a moralidade no uso do dinheiro público e privado”. E afirmou: “Faremos todo o esforço para que o projeto não prossiga desta forma, mas é a mobilização que pode evitar a aprovação”.
Telmo Flor se comprometeu a divulgar as ações promovidas pelo Movimento Defenda a Orla, em especial na próxima quarta-feira, dia 12, quando o projeto Pontal do Estaleiro poderá ser votado pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
Para Cesar Cardia, do Grupo de Comunicação do Movimento, a repercussão das ações e das possíveis conseqüências que o projeto pode gerar para a cidade está sendo ampliada com o apoio do Correio do Povo. O secretário do Fórum Municipal de Entidades, Paulo Guarnieri, observa que a possível aprovação do projeto induz a uma nova lógica de uso da Orla do Guaíba.
Apoios “de peso”
Os representantes aproveitaram a oportunidade para anunciar, em primeira mão, ao Correio do Povo, a instauração de Inquérito Civil, por parte da promotora de Meio Ambiente do Ministério Público, Ana Maria Marchezan, também nesta segunda-feira. “Considerando a iminência de votação do projeto e o fato de haver uma grande probabilidade de que ele venha a ser aprovado, instauramos inquérito para apurar os fatos denunciados”, diz a promotora, ao reafirmar que esta medida dá prosseguimento à ação civil pública impetrada pelo arquiteto e urbanista Nestor Nadruz.
Para a vice-presidente da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), Sandra Ribeiro, “a notícia é espetacular. O Ministério Público, fiel a sua trajetória de cumprir a Constituição e fazer justiça ambiental, é mais um valioso aliado para a nossa causa”, destaca Sandra.
Entre as entidades que já manifestaram publicamente seu repúdio ao projeto Pontal do Estaleiro estão Fórum Municipal de Entidades, Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, Amabi (Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência), Movimento Viva Gasômetro, Associação Moinhos Vive, Ambi (Associação dos Moradores do Bairro Ipanema), Ama (Associação dos Moradores da Auxiliadora), CCD (Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Pedra Redonda, Vilas Conceição e Assunção), CMVA (Conselho Gestor dos Moradores da Vila Assunção), Defender (Defesa Civil do Patrimônio Histórico), Associação dos Moradores da Cidade Baixa, Associação de Moradores do Centro de Porto Alegre, Associação Comunitária Jardim Isabel Ipanema, Amobela (Associação dos Moradores da Bela Vista), Ceucab/RS (Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do RS), AMSC (Associação dos Moradores do Sétimo Céu), Movimento Petrópolis Vive, UPV (União Pela Vida), ONG Solidariedade, Movimento Higienópolis Vive, Amachap (Associação dos Moradores do Bairro Chácara das Pedras), Instituto Biofilia, InGá Estudos Ambientais, NAT/Brasil (Núcleo Amigos da Terra), DCE/UFRGS, Diretórios Acadêmicos da Fabico, da Geografia, Arquitetura, História e da Biologia, Instituto dos Arquitetos do Brasil/RS, Sindicato dos Engenheiros do RS, Associação dos Geógrafos Brasileiros, seccional Porto Alegre, Associação Chico Lisboa e Asae (Associação dos Servidores da Emater/RS-Ascar).
Outras adesões podem ser subscritas através do abaixo-assinado eletrônico www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/1571.
Por Adriane Bertoglio Rodrigues, especial para o Movimento Defenda a Orla!
O Pontal da hipocrisia
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Pontal do Estaleiro: visões antagônicas sobre o aproveitamento da ORLA do Guaíba
O complexo arquitetônico prevê a construção de cinco edifícios residenciais de 12 andares (220 apartamentos e uma área de 32.160 mil metros quadrados), um hotel com 200 apartamentos e centro de convenções, estacionamento com 1.449 vagas, prédios para escritórios e consultórios, uma marina, um píer para embarcações turísticas, uma esplanada pública de lazer e espaço para bares, restaurantes, lancherias e danceterias.
O Projeto de Lei Complementar do Legislativo 006/2008 será votado no próximo dia 12/11, quarta-feira, na Câmara Municipal de Porto Alegre. Está sendo montado forte aparato repressivo, inclusive com o emprego da Tropa de Choque e da cavalaria da Brigada Militar, para conter protestos dos cidadãos mobilizados contra o projeto Pontal e garantir, nem que seja na marra, a votação do controverso projeto, num claro atentado à democracia e ao direito constitucional de livre manifestação.
Mobilização da sociedade deu origem a movimento amplo
Para os coordenadores do Movimento Defenda a Orla!, Paulo Guarnieri, Filipe Oliveira e Cesar Cardia, a proposta foi encaminhada com vício de origem, já que o projeto deveria ser proposto pelo Executivo, e não pelo Legislativo. Os representantes do movimento – que congrega ambientalistas, líderes comunitários, estudantes universitários, intelectuais e membros da classe artística portoalegrense – argumentam que a alteração da lei beneficiará apenas um empreendedor, abrindo "um perigoso precedente para o crescimento da cidade, trazendo problemas de impactos ambientais, problemas viários e aumento da poluição, especialmente no nosso Rio Guaíba”.
Apesar das restrições impostas pela Lei Complementar municipal 470/2002, que proíbe construções residenciais, industriais e depósitos no local, o empreendedor procurou a Câmara de Vereadores de Porto Alegre, e conseguiu que 17 parlamentares assinassem um projeto de lei destinado a alterar a legislação em benefício de sua empresa. O projeto que tramita no Legislativo portoalegrense, eivado de irregularidades, já foi alvo inclusive de ações judiciais, impetradas pelo vereador Beto Moesch (PP).
O proprietário-investidor arrematou em leilão uma área de preservação permanente sabendo de sua condição legal, e se dispôs a afrontar a legislação para auferir lucros superiores a 2.342%, na construção daquilo que estava expressamente proibido no local: um super-condomínio com seis prédios em forma de muralha, cor branco neve e 43 metros de altura.
Falência do Estaleiro Só e leilão judicial da área
Há cerca de treze anos, o Estaleiro Só – situado na Ponta do Melo, zona Sul de Porto Alegre – quebrou, levando ao desabrigo centenas de funcionários e suas famílias. O processo de falência foi demorado, e apenas em 2005 foi feito o leilão da área do antigo estaleiro, arrematada por modestos R$ 7 milhões, pela BM PAR Empreendimentos, dirigida por Rui Carlos Pizzato. O baixo preço levantado pela massa falida devia-se às restrições impostas pela legislação municipal à ocupação urbanística daquela área, nível I de preservação ambiental.
Apesar disso, o empreendedor encomendou um projeto denominado Pontal do Estaleiro, idealizado pelo arquiteto Jorge Debiagi, cuja volumetria prevista obstrui completamente a vista do morro que lhe fica atrás. O entrave legal não intimidou o investidor: procurou ele a Câmara Municipal de Porto Alegre, e conseguiu que 17 vereadores encaminhassem um projeto de lei destinado a violar a legislação portoalegrense em benefício de uma única empresa.
O Fórum Municipal de Entidades, responsável pela análise e emendas ao Plano Diretor como porta-voz da comunidade, entende que esse único projeto abrirá um perigoso precedente que deitaria por terra toda a legislação ambiental para a orla, e possivelmente para outras regiões da cidade. E esta é apenas uma das razões pelas quais o Fórum é contrário ao Pontal do Estaleiro.
Sociedade civil organizada em defesa da ORLA!
Além disso, o Movimento Defenda a Orla, que engloba todas as entidades acima arroladas, recebe também o apoio de instituições e personalidades, como a artista plástica Zorávia Bettiol, o cartunista Santiago e o jornalista e escritor Carlos Urbim. Este último escreveu o seguinte: “Cravaram antes um muro da vergonha no coração da cidade. Mataram, para quem passa por ali, a visão da água. Depois estreitaram o caminho fluvial para plantar asfalto e concreto administrativo. Deixaram, ao menos, um rastro de verde no Parque Marinha. Agora, por absoluta ganância, querem invadir a ponta do estaleiro. Porto Alegre não merece tanta agressão. O Guaíba, estrangulado, precisa respirar. E todos os moradores querem aproveitar - sem muros, barreiras e espigões - a beleza única do nosso estuário.”
O movimento também condena a postura eticamente reprovável do empreendedor. “Quando adquiriu o terreno, em leilão, o empreendedor pagou um valor mais baixo, porque a construção de prédios residenciais, na área, estava impedida por lei”, explicam os defensores da Orla, ao denunciar a pressão para mudança da lei, beneficiando um mínimo de pessoas em detrimento de toda a população. “Caso a lei seja alterada, o Poder Público Municipal estará sendo irresponsável com as pessoas que morarão ali, pois é área de proteção ambiental, mas com risco de enchentes. Além de anti-ético, desrespeitará a legislação”.
O Movimento Defenda a Orla enfatiza a vocação da orla, “em qualquer lugar do mundo”: Lazer e recreação. “A construção do empreendimento inviabilizaria a implantação de um parque ecológico, em que toda a população tenha acesso”, observa César Cardia, ao reafirmar “queremos garantir a vista do nosso Guaíba e seu belo pôr-do-sol”.
Argumentos em favor de um parque ecológico
A jornalista e escritora Tania Faillace, integrante do movimento, explica melhor sua visão sobre a proposta de um parque ecológico na orla do Guaíba: "na verdade, não temos ainda um projeto acabado: temos uma idéia, a ser trabalhada coletivamente. E 70 quilômetros de orla, que, certamente, não serão homogêneas como as fileiras de eucaliptos dos reflorestamentos", argumenta.
Tania explica ainda que o parque, na ótica dos ambientalistas, terá trechos mais densos, trechos mais abertos, mata com flora e fauna originais, espaços de camping, pracinha, balneário com vestiários, área esportiva, viveiro de plantas, aquários e criadouros com alevinos e girinos, alojamentos de animais em situação de adaptação ao ambiente natural; galpões para prática de artes e artesanato e/ou salas de aulas teóricas, ou de dança; ancoradouros de canoas e ioles; mais mata; mais espaços de camping...
Além disso, atividades de educação ambiental, iniciação esportiva e geração de renda para populações carentes estariam contempladas na proposta do parque, que abarcaria toda a extensão da nossa orla. "Tudo isso teria o dom de alavancar uma valorização social da área, com regularização fundiária e remanejamento dos núcleos habitacionais dentro da mesma região, de forma a garantir a boa qualidade sanitária do rio e dos agrupamentos habitacionais", salienta a jornalista. A construção do parque seria antecedida de um concurso nacional, com o apoio do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), com vistas à seleção de projetos para a futura área verde.
Abaixo-assinado necessita de 50 mil assinaturas
Prossegue com ampla adesão o abaixo-assinado eletrônico, promovido pelo Fórum Municipal de Entidades, que pode ser acessado através do http://abaixoassinado.org/abaixoassinados/1571. São necessárias 50 mil assinaturas, anuncia a presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Edi Fonseca, para encaminhar projeto de lei popular garantindo a preservação da orla do Guaíba. O documento conta atualmente com mais de 6 mil assinaturas. “Precisamos ampliar a campanha e para isso conclamamos as pessoas que defendem a preservação da Orla como área pública, o respeito às leis e a criação de um parque ambiental na área em questão, que divulguem o documento”, disse a ambientalista
O Fórum Municipal de Entidades e os estudantes estão formando comissões para elaborar estratégias em defesa da Orla do Guaíba. “A participação da sociedade é fundamental para encaminharmos decisões junto aos poderes”, analisa Sylvio Nogueira, do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, integrante do Fórum.
“Temos que ganhar corações e mentes”, defende Nogueira, ao observar a participação de entidades ambientais, comunitárias e de bairros, desde o Moinhos até os bairros mais simples de Porto Alegre. “A construção de um novo tipo de sociedade só será possível com união e mobilização”, enfatiza o ambientalista.
Razões para ser CONTRA o Pontal:
1 - Questão Ambiental: Se aprovado, causará grande impacto ao ambiente natural da região: formarão uma barreira artificial impedindo a passagem dos ventos para a cidade e da luz do sol para a vizinhança, aumento da produção de esgoto cloacal que na região é ligado ao pluvial.
2 - Questão Urbanística: Problemas de trânsito pela Av. Padre Cacique, que já terá aumento de fluxo de automóveis pela inauguração do Barra Shopping Sul.
3 - Vocação da Orla: Lazer e recreação é a vocação de qualquer orla no mundo. A construção do empreendimento inviabilizaria a implantação de um grande Parque, que é um anseio da população, independente de classe social. A Orla do Guaíba pertence a toda população da cidade.
4 - Questão Ética e Legal: O empreendedor quando adquiriu o terreno em leilão, pagou um valor mais baixo por estar impedida por lei municipal a construção de prédios residenciais na área. Agora quer que se mude a lei para auferir maiores lucros. Caso a lei seja alterada, o município estará sendo irresponsável com as pessoas que morarão ali.
Links de blogs e sites para obter maiores informações sobre o projeto Pontal:
POA Vive: http://poavive.wordpress.com/
Amigos da Gonçalo de Carvalho: http://goncalodecarvalho.blogspot.com/
Salve o Pampa (editado pelo estudante de jornalismo e ativista político Cristiano Muniz): http://salveopampa.blogspot.com/
Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural): http://agapan.blogspot.com/
Artigo no site de arquitetura Vitruvius, de autoria da jornalista e escritora Tania Faillace: http://vitruvius.com.br/minhacidade/mc234/mc234.asp
Ecoagência Solidária de Notícias Ambientais: http://ecoagencia.blogspot.com/
Abaixo-assinado virtual: http://abaixoassinado.org/abaixoassinados/1571
domingo, 9 de novembro de 2008
Governo tucano da 'transparência' ESCONDE incompetência na Segurança Pública
Lula incentiva o automóvel e esquece alternativas para transporte coletivo

Montadoras enviam para matrizes quase 5 bilhões de dólares, só em 2008
Duas notícias que sairam hoje nos jornais brasileiros precisam ser relacionadas entre si para darem sentido diverso do que podem representar, se lidas de forma isolada.
São essas:
1) Montadoras enviaram do Brasil para as matrizes, até setembro, US$ 4,8 bi (O Globo)
2) BB socorre montadoras com R$ 4 bi (O Estado de S. Paulo)
Montadoras são as fábricas de automóveis multinacionais que produzem veículos no Brasil, alimentando o nosso rodoviarismo hipertrofiado, seja no transporte de mercadorias pelas estradas, seja no transporte individual e coletivo nas áreas urbanas do País.
O governo Lula já está no sexto ano e ainda não apresentou nenhum projeto concreto para modificar essa situação calamitosa no Brasil.
Automóveis são despejados aos borbotões todos os anos nas cidades e estradas. As cidades estão saturadas de veículos, sem nenhuma política de planejamento centralizado para transporte coletivo urbano alternativo. As estradas são precárias e insuficientes para atender a mobilidade de pessoas e mercadorias, e igualmente não há nada que garanta que em dez anos não estejamos comentando o mesmo problema, apenas agravado pelo completo colapso das cidades e das rodovias.
Enquanto isso, repito, um banco público injeta 4 bilhões nas fábricas de automóveis. País rico e com tudo o mais “resolvido”, acontece isso.
Por Cristóvão Feil, do Diário Gauche.
Família Brigadiana CONTRA os demandos da (des)governadora
Uma jornalista minha amiga me mandou as fotos em anexo. Eis uma categoria de servidores a ser trabalhada - desde que superado o foco atual - profissionais que são pagos com nossos impostos para nos proteger, e são desviados de suas funções para agirem como jagunços a serviço de interesses espúrios.
Barragens de Jaquari e Taquarembó: CRIME AMBIENTAL do governo
sábado, 8 de novembro de 2008
Delineia-se a política da ORLA e do APARTHEID geográfico-social

Ao que parece, a questão da orla vai-se estender por todo o novo governo Fogaça, e os interesses do governo e dos vereadores atuais coincidem:
mega-projetos entremeados de áreas de lazer, que obviamente, serão adequadas à ocupação por classes abonadas, e obstaculizadas às classes populares, uma vez que, em todas as ocasiões em que assuntos correlatos foram e são discutidos, a grande preocupação são as populações faveladas, chamadas de "marginais, baderneiras, criminosas, e sujas".
Assim, no meu entender, nossa proposta do parque ecológico, que teria por funções concomitantes, a construção de uma proteção vegetal termo-climática para a cidade a sua volta, e a promoção social, com incentivo à educação da juventude de baixa renda, e possíveis núcleos de geração de trabalho e renda, está completamente fora da questão na ótica das elites governantes.
Acho, pois, necessário, que se reserve um espaço e um tempo para discutir e acertar relógios a esse respeito, com ambientalistas, geógrafos, biólogos, educadores sociais, e estudantes de todas essas áreas, com participação de elementos das comunidades locais, inclusive do antigo núcleo de pescadores.
Sabemos que a principal reivindicação das classes abonadas em relação à orla do Guaíba, é que não sejam perturbadas em seus locais de moradia e lazer por elementos "estranhos" e "poluidores".
Ao que parece, na visão política da administração, o desejável é confirmar o apartheid social de uma forma segura, isto é, com o estabelecimento de zonas estanques para uma e outra classe – por aqui, não há risco de se estabelecerem assentos de brancos e pretos, pobres e classe média, nos ônibus, uma vez que estes só servem às pessoas de baixa renda.
Ou nos mexemos agora, ou nos calamos para sempre.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Bancada do PT repudia uso de 'aparato repressivo estatal' na votação do PONTAL

Enquanto BM treina REPRESSÃO, cidade de Farroupilha é refém do CRIME

Ontem, enquanto uma quadrilha de malfeitores tornava refém uma cidade de porte médio no RS, e antes já havia cometido assaltos em dois outros municípios, agentes do choque da Brigada Militar treinavam para reprimir com violência os movimentos populares e as manifestações legítimas e ordeiras da cidadania.
A polícia da governadora Yeda Rorato Crusius, dirigida pelo truculento e semi-analfabeto coronel Mendes (filiado ao PSDB e candidato a deputado em 2010, ele que já concorreu sem êxito pelo PP, em pleitos anteriores), se prepara para agir como braço de repressão política contra qualquer manifestação contrária ao atrapalhado governo tucano no Estado.
Enquanto isso, a bandidagem faz do Rio Grande do Sul o paraíso que pediram ao diabo.
Confirmado APARATO repressivo na votação do projeto Pontal
Ontem à tarde (6/11), durante a sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador da bancada do PT me passou a informação de está sendo montado um aparato repressivo, com o emprego da Tropa de Choque e da cavalaria da Brigada Militar, para o dia da votação do projeto que altera a legislação do município com vistas a viabilizar a construção do empreendimento Pontal do Estaleiro, conforme já havíamos adiantado neste blog na segunda-feira (3/11).Nesta ocasião, o vereador Haroldo de Souza (PMDB) tentou intimidar o companheiro Rodolfo, do DCE/UFRGS, após uma reunião de lideranças de movimentos sociais, estudantis e ambientalistas com o presidente da Câmara, Sebastião Melo (PMDB). Haroldo ainda ameaçou mandar reprimir com violência um novo protesto no plenário.
Pois ontem, depois da sessão de esclarecimentos do secretário municipal de Planejamento, Ricardo Gothe, e de técnicos da prefeitura (que, ademais, só enrolaram e não explicaram NADA), houve um princípio de tumulto provocado pelos próprios vereadores.
Bate-boca no final da sessão
Após as explicações (furadas) da turma da prefeitura, os vereadores usaram a tribuna para seus pronunciamentos habituais. O vereador Comassetto (PT) demonostrou preocupação em seu discurso a respeito da situação de escolas municipais na zona Sul da capital. Em seguida, Todeschini (PT) proferiu fala contrária ao projeto Pontal.
Na seqüência, Ervino Besson (PDT), da base fogacista, usou a tribuna para criticar de forma hostil os edis do PT. "Eles não se deram conta que a população reelegeu, pela primeira vez na história de Porto Alegre, um prefeito. José Fogaça foi reeleito por diferença de 150 mil votos, graças ao trabalho realizado pela atual administração.", esbravejou o pedetista. O pronunciamento rendeu um bate-boca na saída do plenário da Câmara, que quase descambou para a agressão física entre os vereadores Comassetto e Besson.
Haroldo, o destemperado
Nisso, alguns dos presentes no saguão da Casa (eu, entre eles) começaram a questionar a postura dos parlamentares, gritando "BAIXARIA!" e repreendendo-os por essa atitude infantil, que não condiz com o decoro parlamentar. Aí o vereador Haroldo tinha de se meter: começou a insultar os cidadãos, me chamando, inclusive, de DESORDEIRO, em clara falta de compostura.
"Tu vai gritar com a tua mãe, e não comigo!" (sic), bradou o locutor-parlamentar. "Aqui ninguém vai gritar não! Nem DESORDEIRO e nem SENHOR DE IDADE! O senhor vai gritar com outro, e não comigo!", e saiu andando. Lançou ainda alguns insultos enquanto se afastava.
Enquanto isso, Comassetto e Besson continuavam o bate-boca no caminho para os gabinetes. O grupo de ambientalistas presente na Câmara cobrou dos vereadores uma postura uma mais adequada com o decoro parlamentar.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Ambientalistas entregam documento sobre hidrelétrica ao Ministério do Meio Ambiente
Apoio total e irrestrito à LUTA dos estudantes de Caxias!
Secretário municipal presta esclarecimentos sobre o PONTAL hoje na Câmara
Está marcado para esta quinta-feira (6/11), às 14h30min, o comparecimento do secretário do Planejamento Municipal Ricardo Gothe na sessão ordinária da Câmara Municipal de Porto Alegre. A presença de Gothe no Legislativo porto-alegrense, para prestar esclarecimentos sobre o projeto Pontal do Estaleiro, atende requerimento apresentado pelo vereador João Antonio Dib (PP) aprovado pelo plenário em 15 de outubro.
Em sua solicitação, Dib lembrou que o Pontal do Estaleiro, por estar tramitando na Casa sob força do Art. 81 da Lei Orgânica do Município (Regime de Urgência), ficou impedido de maiores estudos sobre o que um empreendimento do porte como o previsto poderá causar na região e na Cidade, principalmente no que se refere ao impacto ambiental. Conforme o requerimento aprovado, Gothe poderá se fazer acompanhar por três técnicos.
Fonte: http://www2.camarapoa.rs.gov.br/default.php?reg=7540&p_secao=56&di=2008-11-06
Ficou bonita essa foto...

Carlos Urbim CONTRA o Pontal
Movimento social PORTUGUÊS está atento à luta contra o 'projecto' PONTAL
Resistir e persistir é preciso. Caros amigos de Porto Alegre saibam que são um exemplo de cidadania para todo o mundo. Numa era em que a democracia representativa é corroída pela indiferença cívica é um prazer vê-los lutar pela defesa dos direitos dos cidadãos e pelo interesse geral das populações dessa maneira.
Governo Yeda quer suspender eleição na Fepam
Um grupo de técnicos da entidade está mobilizado para eleger Flávio Wiegand; ele foi um dos funcionários afastados pela direção da Fepam, no caso da duplicação da Aracruz, por não ter concordado em assinar parecer a favor da Licença Prévia no caso. Esse fato foi um dos motivadores do processo judicial de improbidade administrativa contra a atual diretora Ana Pellini. A eleição está marcada para ocorrer em dois turnos, nos dias 10 de novembro e 1º de dezembro. Depois desta etapa, há ainda o processo político para garantir a nomeação do eleito. Yeda Crusius quer enterrar essa iniciativa.
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Votação do PONTAL marcada para o dia 12/11
Foto: Camila Domingues/CMPA
Treinamento da BM para "controle de distúrbios civis"

segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Vereador Haroldo AMEAÇA estudante após reunião na Câmara

Reunião sobre o PONTAL hoje na Câmara
sábado, 1 de novembro de 2008
Repercussão do movimento contra o Pontal na WEB
Outra situação de luta dos últimos meses se refere à situação fundiária urbana de Porto Alegre. Sem maiores explicações, há um megaprojeto pretendendo transformar a massa falida do Estaleiro Só, às margens do Lago Guaíba, em um grande empreendimento imobiliário. As explicações são aquelas esfarrapadas de sempre, dizendo que se vai qualificar a localização, que o acesso será irrestrito, que se aumentará a oferta imobiliária, haverá espaço de convivência comum... Ou seja, conversa pra boi dormir e acordar depois com os espigões levantados pra meia dúzia de afortunados porto-alegrenses. As questões ambientais, como sempre, são relevadas a segundo plano quando o poder econômico resolve agir, e não se tem um estudo de impacto ambiental que não seja dos próprios proponentes do projeto. E o mais interessante é que a maioria dos vereadores da Câmara Municipal é contrária ao projeto, mas este insiste em entrar em pauta por lobby sabe-se lá de quem (imagina de quem, né?). Bom, o fato é que há dois dias houve manifestação na câmara em virtude da votação do projeto. A pressão popular surtiu efeito e o pleito foi barrado. Fiquemos de olho através de mais um blog de mobilização:
- http://salveopampa.blogspot.com/
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Juremir critica o PONTAL em sua coluna no Correio do Povo
Artigo de Juremir Machado da Silva (com grifos meus).O Pontal da Janelinha
Continua a polêmica do Pontal do Estaleiro. Acontece que a turma dos camarotes sempre quer andar na janelinha. É a síndrome de cachorro de madame. Tem gente bem aquinhoada querendo se apropriar de uma parte da vista do Guaíba. Dá para entender este desejo de ficar em pé na frente dos outros. Afinal, é o que mais acontece. Até em show. É a lei do mais alto. Os ambientalistas são contra. A esquerda atuante apanha, mas não cede. Qualquer um que tenha uma mínima idéia de coletividade, mesmo sem ser militante de qualquer coisa, também não é favorável. A votação na Câmara de Vereadores, finalmente suspensa, fora adiada para 12 de novembro. Depois das eleições. Mas antes dos novos mandatos. Que coincidência! Por que mesmo se deveria aceitar a construção de cinco edifícios de 12 andares, um hotel, centro de convenções e prédios para escritórios na beira do rio? Quem vai ganhar com isso? Não haveria uma maneira de utilizar a área com um sentido mais público?
Em outros tempos, essa pergunta seria considerada anacrônica ou como o sinal de um comunismo patético. Agora, porém, quando o Estado deve comprar bancos para salvar o capitalismo das suas crises cíclicas, vale o atrevimento. A discussão a respeito do projeto passa por elementos contraditórios. O primeiro é que até agora não houve propriamente discussão. Ao menos, quanto à posição de todos os vereadores, que terão de mudar a lei para garantir assentos privilegiados a quem puder pagar muito para ler o jornal contemplando o pôr-do-sol no Guaíba sem ninguém na frente. Pelo que li, também não existe realmente um estudo de impacto ambiental. Embora esses dois elementos sejam relevantes, vou desprezá-los. Ficarei com uma questão bem mais rasteira: por que deixar um espaço tão espetacular restrito ao uso de poucos?
Ali, por exemplo, poderia ter sido construído o sambódromo. Ah, não? Era só uma idéia. A Vila Cai-Cai, lembram muitos participantes de associações comunitárias, foi retirada do seu local de origem devido à proibição de se morar nessa área de preservação. Faz sentido. Os defensores do projeto Pontal do Estaleiro certamente têm razões estéticas "socialmente neutras": favela enfeia a orla de um rio, já os condomínios de ricos, evidentemente, embelezam. A orla deve ser de todos. Quanto mais intocada, melhor. O sujeito tem de usar a orla para correr, brincar, pensar na vida, filosofar e refletir sobre a complexa relação entre natureza e cultura. Basta. De repente, até escreve um bom livro sobre o assunto. Agentes imobiliários, empresários da construção civil e toda sorte de idealizadores de "utopias" urbanas para faturamento pessoal ou tribal devem ser mantidos longe do rio. Se for o caso, deve-se fazer uma corrente para abraçar e proteger a orla dos tubarões que compram por pouco para vender por muito.
Porto Alegre defendeu-se durante anos da invasão dos farrapos, que só tomaram a orla do Guaíba há pouco tempo. Pode, portanto, resistir novamente, agora a esse ataque desde dentro. É claro que os autores do projeto falam em estudos conseqüentes e em dar uma nova cara para a cidade. O tripé reuniria a Fundação Iberê Camargo, o novo shopping e o pontal. Cara nova é sempre um shopping mais alguma coisa. Porto Alegre já é a capital brasileira dos centros comerciais assépticos. Bate até São Paulo. Cinema em Porto Alegre está quase inviável. É quase tudo em shopping. Qual a relação? Simples. A orla não deve ser um shopping.
CORREIO DO POVO, 01/11/2008.
Senadora TUCANA quer acabar com meia-entrada nos feriados e fins de semana
Posição CONTRÁRIA ao Pontal em editorial do CP
Agiu bem o vereador Sebastião Melo, presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, em acordo com as demais lideranças da Casa, na sua decisão de suspender a votação do projeto que permitiria a construção de grandes prédios residenciais e comerciais, o Pontal do Estaleiro, na área do antigo Estaleiro Só, às margens do Guaíba, na zona Sul da Capital. Inicialmente prevista para o dia 12 de novembro, foi adiada para esperar o resultado de uma ação judicial impetrada pelo vereador Beto Moesch (PP) no Tribunal de Justiça.
O imbróglio jurídico e político em que se transformou essa questão suscita a necessidade de muitos esclarecimentos. Não é possível que interesses privados se sobreponham ao interesse público de forma condenável. Assim, alterar a atual legislação municipal apenas para atender aos interesses do proprietário que adquiriu a área em leilão por preço módico significa dar a ele um potencial de enriquecimento não propiciado de forma igual aos que poderiam ter participado da disputa, pois todos sabiam das limitações existentes para uso do local. Se retiradas as limitações, os vereadores estariam ferindo um dos princípios basilares do poder público, a igualdade entre os cidadãos e administrados, com a lei deixando de ser para todos. Estariam beneficiando um único empreendedor, que teria investido um valor muito baixo para ter a área e agora poderia, com o apoio da Câmara, dar-lhe destinação diversa e com lucratividade estratosférica. Numa comparação, é como se um comprador adquirisse um Fusca e recebesse uma Mercedes.
A sociedade civil já está se mobilizando e parcela significativa dela demonstra que não concorda com o conteúdo da proposta de construção de espigões na antiga área do Estaleiro Só, com prejuízo para muitos e benefícios para poucos, inclusive com reflexos evidentes na questão ambiental. Resta à Câmara ouvir a população e suas entidades representativas e tomar uma decisão que preserve o interesse público. Para que assim se dê, nada justifica que uma questão de tal magnitude seja tomada pelos representantes da atual legislatura, com contagem regressiva para o final do mandato. A transparência necessária para decidir uma questão tão complexa e polêmica não se coaduna com açodamentos e votações no apagar das luzes.
CORREIO DO POVO, 31/10/2008
Geógrafos juntam-se à LUTA contra o Pontal
A AGB-PA – Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção Porto Alegre, entidade que congrega os profissionais (bacharéis e licenciados) e estudantes de Geografia, vem, manifestar-se com relação à discussão que vem ocorrendo, na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, com o objetivo de modificar a Lei Complementar 470 /2002. A referida mudança diz respeito aos interesses específicos daqueles que adquiriram o lote relativo ao antigo Estaleiro Só, em modificar a regulamentação do espaço urbano vigente com vistas à construção de interesse privado.
A área em questão corresponde à orla do Guaíba, a Lei Complementar 470/02 ao PDDUA define que essa área deve ter uso social, ou seja, que as construções, para além de estarem adequadas à preservação e restauração da orla em termos paisagísticos, devem atender ao interesse cultural e turístico. Trata-se de uma área em que é proibida a construção para uso residencial.
O nosso posicionamento é contrário à aprovação desta mudança que tramita na Câmara Municipal através do Projeto de Lei Complementar do Legislativo, PLCL 006/08 e objetiva alterar a Lei Complementar 470/02, propondo modificações no regime urbanístico da área. Nosso posicionamento está apoiado no seguinte:
1. A orla do Lago Guaíba é um patrimônio paisagístico natural e cultural de Porto Alegre. Portanto, as áreas do entorno do Lago Guaíba são, por legislação específica, consideradas de interesse social e ambiental e, assim, devem ser restauradas e utilizadas para fins sociais.
2. A mudança da legislação está sendo feita sem ampla discussão. Esse interesse emerge após a negociação feita a partir da compra da área através de Leilão em 2005 pelo o grupo SVB Participações cujo projeto se diferencia do uso indicado em legislação e é contrário ao interesse social e ambiental presente no PDDUA de Porto Alegre.
3. O processo em curso, que leva a Câmara Municipal a discutir um projeto que contraria a legislação do município, tem severas restrições por razões amplamente divulgadas. Estas, para citar alguns exemplos, são de ordem ambiental (desconstrução do sistema local provedor de balanço energético favorável ao entorno e pressão sobre o lago em termos de dejetos lançados direta ou indiretamente) e de ordem social (privatização de espaços que por legislação são públicos e assim devem ser seus usos, causando limitação de acesso dos portos alegrenses a significativas áreas de lazer e aproximação ao lago). Enfim, privatização da orla do lago.
Para finalizar, é necessário resgatar a memória de outras propostas já discutidas, em outros momentos históricos, que pretendiam transformar a orla do Guaíba segundo os interesses de usos privados e que foram efetivamente rejeitadas pela população, através de ampla discussão social, comunitária, urbanística, arquitetônica e ambiental. Nessa ocasião, os Vereadores de Porto Alegre foram sensíveis à proposição demandada para esse espaço – uso social e restauração ambiental. É fruto desse processo desde os anos de 1980 a construção do PDDUA.
Estamos, nesse momento, revivendo a mesma pressão exercida pela demanda privada. A solicitação da Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção Porto Alegre, é de que essa Câmara de Vereadores não aprove mudança na legislação que comprometa a construção social mais ampliada dos espaços de Porto Alegre.
Nelson Rego, Diretor da AGB-PA – Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção Porto Alegre, RS.
Documento elaborado por Dirce Suertegaray, Cristiano Rocha e Paulo Soares, membros da Comissão de Assuntos Técnicos da AGB Porto Alegre.
