Notícia do blog Caapuã dá conta de que áreas de Mata Atlântica na região de Caxias do Sul, serra gaúcha, vêm sendo desmatadas clandestinamente para dar lugar a cultivos de acácias e pinus – espécies que alimentam a indústria da celulose, responsável pelos famigerados desertos verdes –, milho e feijão. Uma reportagem do jornal local O Pioneiro mostra como agem os bandidos que destróem mata em áreas de proteção permanente, asseguradas pela legislação federal.
Clareiras têm sido abertas em encostas e terrenos de difícil acesso por terra, o que garante a camuflagem do crime ambiental: assim, só é possível monitorar áreas desmatadas sobrevoando a região. Uma fonte ouvida pelo jornal diz que "quanto menos árvores nativas tiver uma propriedade, maior valor de venda ela terá, porque as terras poderão ser usadas para outros fins. Por isso é que esse crime se proliferou".
A legislação ambiental proíbe o desmatamento em encostas porque, sem cobertura vegetal, os declives estão sujeitos a erosão e deslizamentos. A destruição de florestas, em áreas com qualquer relevo, é proibida pois interfere no microclima da região e na integração entre flora e fauna, provocando desequilíbrios no ecossistema local.
Apesar de um decreto federal, assinado no ano passado, ter tornado as punições para crimes ambientais mais rígidas – inclusive com detenção e pesadas multas para os infratores –, a fiscalização por parte do poder público ainda é deficiente. A Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar, reponsável pela fiscalização, conta com um efetivo de apenas 18 soldados para atuar em 13 cidades da região.
Fotos: áreas depredadas na serra gaúcha, no município de Caxias do Sul. Estão colocando abaixo nossa Mata Atlântica para dar lugar a pequenos desertos verdes que abastecem papeleiras.
