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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ações judiciais contra blogueiros e a força do jornalismo alternativo brasileiro

A mídia corporativa se sente ameaçada em seu âmago pois não possui mais o monopólio da imposição de sentidos e construção de realidades em nossas sociedades urbanas tecnomidiáticas. Blogs, redes sociais e jornalistas independentes vão aos poucos desconstruindo a hegemonia dos conglomerados de mídia, possibilitando a disseminação em tempo real de outras versões dos acontecimentos, de vozes dissonantes em relação ao pensamento único difundido pelos meios massivos.

Eles ainda detêm o poder de modelar a realidade e de pautar a política: porém, se vêem cada vez mais obrigados a compartilhar esse poder com blogueiros e jornalistas alternativos da internet. Com tiragens em queda e sua credibilidade posta diariamente em questão na web, a decadência é inevitável e irremediável; à mídia corporativa, só resta espernear e colocar seus advogados para tentar tirar uns pilas do Nassif, do Weissheimer, do Ungaretti e ver se assim eles calam a boca.

Tenho certeza: não calarão.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Nassif e iG são condenados a indenizar redator-chefe da Veja

O jornalista Luis Nassif e o portal iG foram condenados a pagar indenização de 100 salários mínimos (R$ 46,5 mil) ao redator-chefe da Veja, Mario Sabino. A condenação, por danos morais, é pela publicação de uma série de artigos criticando a atuação de Sabino na condução da revista. A decisão é da 27ª Vara Cível de São Paulo.

Na sentença, o juiz Vitor Frederico Kümpel ressaltou que não se trata de um caso de censura, mas de “sanção pela utilização indevida de nobre direito” de livre manifestação do pensamento.

Informações do sítio Comunique-se.

Saiba como evitar processos judiciais contra publicações na web lendo um manual elaborado por especialistas em Direito na internet. Nossa solidariedade a Luis Nassif.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Cada subversão é uma VITÓRIA


Ontem à noite, quando voltava do lavoro na biblioteca da Fabico, pedalando minha bicicleta pela avenida Ipiranga, confesso que vibrei muito ao ver a intervenção no arroio Dilúvio, de autoria do Coletivo Muralha Rubro Negra.

A pintura é um desafio a ditadura do pensamento único vigente no estado, tão habilmente promovida e advogada pela fábrica de mentiras da Ipiranga (e demais tentáculos midiáticos). Veremos até quando continuará ali a intervenção; por enquanto, a censura obtida judicialmente pelo Fotonaldo contra o Prof. Ungaretti ainda não atingiu os muros da cidade; eu me pergunto: quanto tempo a RBS terá de conviver com essa chaga, essa ferida aberta bem debaixo dos seus olhos?

Em minha visão, as ações movidas contra Ungaretti e os caras do A Nova Corja apenas demonstram o quão incômoda é a nossa mídia alternativa para os senhores e vassalos da mídia corporativa gaudéria. Podemos ser poucos (e não receber nenhum tostão por isso), mas cada palavra afiada é um corte – pequeno, é verdade – na carne do baronato político-midiático local, uma afronta à sua hegemonia; é necessário (escreveu uma vez WU) saber manusear as palavras – como estiletes.

Podemos até ser pequenos e poucos, mas cada subversão – por menor que seja – é sempre uma vitória.

Nos vemos de manhã, no Fora Yeda!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Lacaios da mídia corporativa guasca desafiam liberdade de expressão e opinião na internet

Esta postagem é feita em solidariedade ao jornalista e Professor da Fabico, Wladymir Ungaretti, e aos integrantes do blog A Nova Corja, que respondem processos na Justiça movidos por servidores da mídia corporativa guasca.

Uma decisão judicial em primeira instância determinou que Ungaretti retire do ar todas as referências e críticas que mantém no blog e na revista eletrônica Ponto de Vista (clique aqui para ler a última postagem do Professor) ao jornalista e fotógrafo do Grupo RBS, Ronaldo Bernardi, conhecido no meio profissional como Fotonaldo. No sítio censurado pela Justiça, Ungaretti analisa diversas fotos de Bernardi, mostrando de que maneira suas imagens são armadas: a tradicional “cascata”, em termos jornalísticos. O Judiciário deu cinco dias para o conteúdo ser retirado do ar. Em virtude da ação, Ungaretti preferiu suspender temporariamente o trabalho jornalístico que mantém há nove anos na internet. O Professor vai recorrer da decisão.

Já no caso do A Nova Corja, integrantes e ex-integrantes do blog estão sendo processados pelo jornalista Felipe Vieira, âncora do jornalismo da Band RS. No processo, o autor da ação detalha os constrangimentos que estaria sofrendo por causa de postagens publicadas há quase um ano no blog. A queixa-crime por injúria e difamação é dirigida contra Rodrigo Oliveira Alvares, Leandro Demori, Walter Valdevino Oliveira Silva, Mário Camera e Jones Rossi.

Como se vê, o exercício da liberdade de expressão e opinião é que vem sofrendo constrangimentos aqui no nosso pago pampeano. A decisão judicial de CENSURAR o material publicado pelo Prof. Ungaretti mostra claramente de que lado nossa Justiça está nesse tipo de questão: age como fiel defensora dos interesses hegemônicos da mídia corporativa. Espero que a apelação do Professor tenha resultado, e que ele possa reestabelecer suas atividades no Ponto de Vista, importante espaço de reflexão e questionamento crítico sobre a profissão jornalística.

Quanto ao processo movido contra os rapazes do A Nova Corja, torço para que o resultado seja o mesmo obtido pelo jornalista e escroque direitista Polibio Braga, quando este também acionou judicialmente integrantes do irreverente blog sobre política estadual: o processo foi REJEITADO pela Justiça sob a alegação de inépcia (característica da petição inicial, denúncia ou queixa que, por não atender às exigências legais ou por ser contraditória, é rejeitada pelo juiz, não produzindo os efeitos previstos). Polibio foi condenado a pagar as custas processuais (R$ 950,00) e R$ 500,00 em honorários (ainda não pagou).

Com informações do Jornal Já.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Abraji: agressão a repórter é atentado à democracia

Nota de repúdio divulgada no sítio da entidade, com grifos meus.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji considera um atentado à liberdade de expressão e à democracia brasileira a agressão sofrida pelo correspondente da Folha de S. Paulo em Porto Alegre, Graciliano Rocha, no comitê de campanha do prefeito reeleito José Fogaça (PMDB).

Ao chegar à entrevista coletiva do prefeito na noite do último domingo, o jornalista foi ameaçado por um dos militantes no local, que reclamou de uma reportagem publicada pela Folha no sábado, 25. Na saída da coletiva, que acabou sendo cancelada, Rocha levou um soco no rosto do militante que o havia ameaçado, caiu e levou pontapés dele e de mais dois militantes da campanha. O repórter registrou ocorrência no 10º Distrito Policial e passou à noite por um exame de corpo de delito.

A reportagem da Folha “Prefeitura dá bônus-moradia a moradores”, que deu origem à agressão, mostrou que, a menos de 48 horas do pleito, a Prefeitura de Porto Alegre distribuiu bônus para a compra de casas a moradores afetados por um obra na periferia da cidade.

A Abraji entende que atos como o praticado pelos militantes da campanha de Fogaça prejudicam não só a liberdade de imprensa, mas também direitos básicos dos cidadãos.

Em vista disso, a Abraji pede que as autoridades punam os responsáveis pela a agressão ao jornalista Graciano Rocha e investiguem se as irregularidades apontadas pela reportagem da Folha comprometem os resultados da eleição em Porto Alegre.