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terça-feira, 18 de novembro de 2008

RS Urgente: indícios de lavagem de dinheiro no mercado imobiliário de Porto Alegre

Marco Aurélio Weissheimer, em seu excelente blog, traz à baila artigo de analista do Banco Central sobre evidências desse tipo de crime na capital gaúcha, palco de vigorosas investidas da especulação imobiliária e da indústria da construção civil, que quer se adonar da nossa Orla para fazer os espigões do Pontal da Vergonha.

Um estudo do economista Mauro Salvo, especialista na prevenção de crimes financeiros aponta a existência de indícios de lavagem de dinheiro no mercado imobiliário de Porto Alegre. O estudo de Salvo foi tema de uma coluna do Conselho Regional de Economia do RS (Corecon), publicada no dia 29 de agosto deste ano no Jornal do Comércio. Segundo ele, a a quantidade e a variação das transações imobiliárias de Porto Alegre – e seus valores – talvez não sejam compatíveis com os preços de mercado, as variações demográficas e renda dos habitantes do município, podendo apontar para indícios de lavagem de dinheiro neste setor. Indagado sobre quais seriam estes indícios ele respondeu:

“Como explicar o crescimento de 137% nas vendas dos imóveis novos? Se a renda do Brasil cresceu apenas 3,8% em média e a do Rio Grande do Sul 2,4%. Se o PIB per capita em Porto Alegre é de apenas R$ 19.582,00 por ano. Se o crédito imobiliário no Estado cresceu apenas 56%. Se as vendas de imóveis usados e a locação de imóveis também têm aumentado. Se o número de moradores por domicílio se mantém praticamente estável. Se a população de Porto Alegre cresceu apenas 2,4% . Se 33,1% da oferta de imóveis novos se dá para valores acima de 330 CUB's, justamente numa faixa na qual as condições de crédito não melhoraram tanto como nas faixas menores e para qual se necessita de renda em torno de R$ 12 mil. Se na região metropolitana de Porto Alegre temos apenas 4.650 famílias com este nível de renda”.

Mauro Salvo acrescenta:

"Esse mercado é muito procurado, pois oferece facilidades para este tipo de negócio. Como no caso de obras de arte e outros bens, embora haja uma referência de mercado, o vendedor pode definir o preço que bem entender para constar da documentação do Imposto de Renda. O agente, por exemplo, compra um imóvel e declara ter pago valor infinitamente menor. Paga a diferença ao vendedor 'por debaixo do pano'. Depois, após alegar haver realizado reformas que valorizam o imóvel (às vezes mentirosamente, e às vezes realizando reformas com custo muito menor do que o verdadeiramente gasto), vende-o pelo preço normal de mercado".

"Pode-se também comprar um imóvel com dinheiro de origem ilícita, em seguida aliená-lo como garantia de um empréstimo junto a um banco, que não será pago, deixando que o imóvel/garantia seja executado. Assim o dinheiro de origem criminosa tomou a forma de imóvel, depois de garantia e finalmente de empréstimo. Ainda tem-se a opção da compra de um imóvel caro, utilizando-se dinheiro sujo e depois revendê-lo a um preço inferior. O prejuízo justifica-se como custo da lavagem".

A íntegra do estudo está disponível no seguinte endereço do site da PUC/RS.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A força da bancada do cimento

Por Marco Aurélio Weissheimer, do RS Urgente.

O setor imobiliário de Porto Alegre está entusiasmado com as possibilidades que o segundo governo Fogaça oferece. O projeto do Pontal do Estaleiro é só o início de uma série de outras obras de grande porte em áreas até então proibidas por questões ambientais e urbanísticas. Sabendo do caráter polêmico do projeto do Pontal, Fogaça moveu as peças para que a votação na Câmara Municipal ocorresse apenas depois das eleições. Agora, com mais quatro anos pela frente, o espaço está mais aberto para as construtoras. O Executivo já enviou projetos ao Legislativo sobre a construção do novo estádio do Grêmio (bairro Humaitá) e novos prédios na área do atual estádio Olímpico (Azenha), e também sobre os projetos de construção do Inter, nas áreas do antigo estádio Eucaliptos e do Beira-Rio. Muitos espigões estão projetados, inclusive à beira do Guaíba. Pelo que está se vendo hoje na Câmara de Vereadores, a bancada do cimento está forte.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Reestruturação da Fase-RS proposta por Yeda

E dê-lhe especulação imobiliária!

"O governo Yeda prepara um pacote emergencial para 'salvar' a Fase (antiga Febem). No projeto, consta a permuta da área nobre da sede atual da entidade, na avenida Padre Cacique, próximo ao estádio do Sport Club Internacional.

Essa enorme e qualificadíssima área urbana, com mais de 70 hectares, sempre foi cobiçada pelas incorporadoras da indústria da construção civil de Porto Alegre e alhures."

E ainda:

"O debate dos aspectos operacionais da reestruturação da Fase (Fundação de Atendimento Socioeducativo), cuja proposta foi concluída pela secretaria da Justiça e será encaminhada à Assembléia Legislativa após o segundo turno da eleição, poderá ser prejudicado pela inevitável discussão sobre a pretendida permuta dos 72 hectares (equivalentes a 72 quarteirões ou a igual número de campos de futebol) da área em que está localizada. Imaginem se não é de assanhar: na avenida Padre Cacique (mais uma carga), nas suaves encostas oeste e sul do morro Santa Teresa, com mata terciária e nascentes de água, vista de 180° para o Guaíba, a 5 minutos do Centro."

Onde é que o Rio Grande vai parar??? Quase morro de raiva ao tentar imaginar qual será a próxima CAGADA por parte do (des)governo Yeda.


Fontes: http://diariogauche.blogspot.com/ e http://www.ericovalduga.com.br/Content/Default.asp#2449

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Corja reunida


Foto retirada de: http://www.rsurgente.net/2008/10/os-pacificadores-e-o-deserto-da-memria.html


Nem preciso dizer nada: a imagem diz tudo. Estes são os aliados do nosso estimado prefeito postulante à reeleição. Os cidadãos de Porto Alegre que de fato AMAM esta cidade deveriam fazer de tudo para que ele NÃO SE REELEJA.

É bem simples. No segundo turno, temos três opções: ou votar na Mariazinha (cuja campanha não empolga ninguém, diga-se de passagem), anular ou votar em branco. Qualquer uma delas será uma escolha digna. Mas votar em Fogaça... Faça-me o favor! Reelegê-lo é votar CONTRA Porto Alegre, CONTRA o meio ambiente e CONTRA a qualidade de vida em nosso município.

Com o incentivo que o setor imobiliário tem recebido por parte da administração municipal e seus comparsas na Câmara de Vereadores, nos próximos anos bairros tradicionais como Menino Deus e Cidade Baixa deixarão de ser redutos residenciais (na verdade, esse processo já está acontecendo, basta ver o grande número de prédios sendo erguidos no Menino Deus, onde moro), dando lugar a ESPIGÕES (apesar de antiga, gosto da palavra pela sonoridade que evoca), prédios com mais de DEZ andares.

Isto trará sombreamento (como no caso das avenidas Borges e Salgado Filho, no Centro, em que "paredões" de prédios impedem que o sol brilhe sobre a via pública), alterará o regime dos ventos, sobrecarregará o sistema de abastecimento de água e recolhimento de esgotos, exigindo novos investimentos do poder público para aprimoramento da rede.

Parece bom, né? Mas há uma questão: quem iria se beneficiar dessas melhorias? Os moradores desses novos empreendimentos, ou seja, a classe média alta, que é quem tem condições de adquirir apartamentos a partir de R$ 200 mil reais no bairro. As comunidades que NÃO TEM saneamento básico, estas terão que continuar sem recolhimento de esgoto, pois a lógica de uma administração como a de Fogaça é esta:

Beneficiar os abonados (investidores e especuladores do setor imobiliário; elite local com projetos como o Pontal do Estaleiro, novo Teatro da Ospa; e aliados políticos que se favorecem do "loteamento de cargos" na prefeitura)...

... enquanto aqueles que mais precisam continuam a esperar pela solução de problemas como a falta de moradias populares e de infra-estrutura básica (saúde, coleta de lixo e esgoto) em muitas comunidades pobres da cidade.

Sinceramente, tenho VERGONHA por quem votou em Fogaça.

sábado, 11 de outubro de 2008

Saiba mais sobre o Pontal

Fuçando a internet a procura de mais informações sobre o projeto Pontal do Estaleiro, encontrei o texto transcrito abaixo, retirado deste site e supostamente escrito em 2006, explicando sobre a nova maravilha da arquitetura portoalegrense (depois do "bunker" Iberê Camargo; cacete, que construção horrível!) que será o Pontal. E, àqueles que tiverem mais tempo, recomendo dar uma olhadinha no site de onde tirei o texto e ler os comentários de energúmenos que APÓIAM propostas como essa.


"Um superprojeto arquitetônico e urbanístico pretende dar um destino para o Estaleiro Só e, ao mesmo tempo, uma nova cara à zona sul de Porto Alegre. Com edifícios residenciais, hotel, marina, salas comerciais e área de lazer à beira do Guaíba, o Pontal do Estaleiro tem de sensibilizar (!) a prefeitura e a Câmara para rever uma lei que barra construções habitacionais naquela região.

Localizado entre a Avenida Padre Cacique e o Guaíba, no bairro Cristal, o terreno do Estaleiro Só foi adquirido pela empresa SVB Participações em um leilão no ano passado. Até então, a área, de 41 mil metros quadrados, havia sido colocada à venda diversas vezes depois da falência da indústria.

Em conjunto com a Debiagi Arquitetos e Urbanistas, a SVB promete transformar o local, hoje ocupado por depósitos abandonados, em um complexo que reúne lazer e sofisticação [só não diz que isso tudo será direcionado à elite]. O projeto será apresentado oficialmente na manhã de hoje.

O empreendimento, estimado em R$ 130 milhões, prevê a construção de cinco edifícios residenciais de 12 andares (220 apartamentos e uma área de 32.160 mil metros quadrados), um hotel com 200 apartamentos e centro de convenções, estacionamento com 1.449 vagas, prédios para escritórios e consultórios, uma marina, um píer para embarcações turísticas, uma esplanada pública de lazer e espaço para bares, restaurantes, lancherias e danceterias [em nenhum momento são mencionados os impactos ambientais da proposta].

O Pontal do Estaleiro vem sendo avaliado em reuniões na Câmara, já que é necessária uma mudança na legislação para sua concretização: uma lei específica para a área veda o uso do terreno para complexos habitacionais. O projeto só é viável com a área residencial, por uma questão de caráter econômico e urbanístico. A composição da obra é voltada para ter vida a todo momento, até por segurança [alguém pode me explicar o que significa essa frase].

A avaliação com a prefeitura e com a Câmara está bem encaminhada [não é de se estranhar, considerando nossa atual classe dirigente]. Nossa expectativa é de que a lei seja votada nos próximos meses - disse o arquiteto Jorge Debiagi, responsável pelo projeto. Com a sede da Fundação Iberê Camargo [mais conhecido como "bunker"] e o BarraShopping Sul [mais um empreendimento que vai contribuir com a elitização do espaço urbano na entrada da zona sul], a região se consolidaria como um pólo de desenvolvimento da Capital."


Os grifos e colchetes são meus.
Pólo de desenvolvimento? Só se for desenvolvimento da indústria da construção civil, ou quem sabe de nossa classe política (dezessete vereadores da capital APOIARAM proposta de alteração da legislação ambiental em favor de empreendimentos como o Pontal; ou seja, colocam interesses do setor imobiliário ACIMA dos interesses da população; esses pilantras certamente devem receber polpudas contribuições de campanha de construtoras e outras empresas do ramo da construção).

Participe da luta contra o Pontal do Estaleiro