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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

E agora, o que fazer com tanto eucalipto?


Artigo de Paulo Mendes Filho, diretor do Semapi Sindicato e funcionário da Emater-RS, com grifos meus.

A pressão pelas papeleras mobilizou o governo Yeda desde o início do mandato. Por conta dessa pressão foi atropelado o Zoneamento Ambiental da Silvicultura, produto bem acabado, de vários cientistas, professores, trabalhadores da Fepam e da Fundação Zoobotânica.

Estivemos presentes em todas as audiências públicas organizadas pela Fepam, Força Sindical e papeleras. Assistimos, em minoria, a força organizada do monopólio dos eucaliptos, defensores das empresas que repudiavam o zoneamento ambiental e prometiam milhares de empregos a partir da liberação do plantio.

Com fortes argumentações pró-desenvolvimento, estes setores organizados manifestavam-se a favor do crescimento do Estado. Em seus discursos inflamados de certeza lembravam a perda da Ford, dos empregos e, de maneira taxativa, contabilizavam ao PT e ao governo Olívio esta derrota. Pois bem, passado quase um ano daquele fervoroso debate, assistimos perplexos a desistência destas multinacionais, em especial da Aracruz que prometeu uma superampliação da fábrica de Guaíba.

Leia mais.

domingo, 26 de outubro de 2008

A Aracruz pode FALIR?


Vítima dos derivativos de câmbio, a Aracruz prende a respiração a cada repique da moeda americana, como a verificada nesta quarta-feira (22/10), quando o dólar disparou 6,67% e encerrou o dia a 2,38 reais. A companhia possui uma exposição cambial de 6,26 bilhões de dólares em derivativos. A pergunta do mercado é: até que ponto a Aracruz pode resistir à disparada da moeda americana? Para a corretora Planner, a resposta é 2,70 reais por dólar. "A essa taxa, a empresa estará no pior dos mundos, e pode quebrar", afirma Peter Ping Ho, analista de papel e celulose da corretora.

Ping Ho explica que o que poderia levar à insolvência da Aracruz é a conjugação de vários fatores: os contratos de derivativos que ainda não foram liquidados, as outras dívidas em dólar da empresa, não necessariamente atreladas aos derivativos, e a necessidade da empresa de continuar desembolsando dinheiro para manter suas atividades no dia-a-dia. "Isso tudo pode comprometer o caixa operacional da empresa", afirma o analista.

No gráfico, queda das ações da Aracruz Celulose na bolsa. Charge de Eugênio Neves.

Fontes:
http://portalexame.abril.com.br/financas/derivativos-podem-quebrar-aracruz-393903.html
http://www.rsurgente.net/2008/10/aracruz-pode-quebrar.html

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Novas licenças para silvicultura devem obedecer regras da FZB

As novas licenças a serem fornecidas pela FEPAM para as atividades de silvicultura no Estado deverão obedecer aos critérios gerais propostos por técnicos da Fundação Zoobotânica (FZB). A decisão é da 4ª Câmara Cível do TJ-RS, em decisão unânime, ontem à tarde (22/10). As licenças já expedidas continuam em vigor.

A Desembargadora Agathe Elsa Schmidt da Silva, relatora, considerou que a ausência de limites objetivos no zoneamento ambiental aprovado no âmbito do Conselho Estadual do Meio Ambiente – CONSEMA, “é efetivamente preocupante, já que o esvazia como instrumento de orientação do processo de licenciamento”.

Afirmou que na ausência de outros limites, os propostos pela equipe de técnicos da Fundação Zoobotânica são efetivamente os mais adequados – “os únicos que atendem ao dever de proteção ao meio ambiente”. O Colegiado aplicou os princípios da precaução, prevenção e do desenvolvimento sustentável.

A decisão apreciou recurso de agravo interposto pelo Ministério Público contra decisão do Juiz de Direito da 4ª Vara da Fazenda Pública Almir Porto da Rocha Filho, que havia deferido em parte os pedidos liminares da Ação Civil Pública. A ação principal continua tramitando no 1º Grau.

A decisão terá efeito até que sejam aprovados limites objetivos ao zoneamento ambiental pelo plenário do CONSEMA ou a ação seja finalizada.

Os Desembargadores João Carlos Branco Cardoso, que presidiu o julgamento, e Alexandre Mussoi Moreira, acompanharam o voto da relatora.

Fonte: http://ecoagencia.blogspot.com/2008/10/novas-licenas-para-silvicultura-devem.html

domingo, 12 de outubro de 2008

Fique atento!


BIOMA PAMPA: região pastoril de planícies com coxilhas, entre o RS, o Uruguai e as províncias argentinas de Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé, Entre Ríos e Corrientes. Caracteriza-se por sua vegetação composta por gramíneas, plantas rasteiras e algumas árvores e arbustos. Os campos têm importante contribuição na preservação da biodiversidade, principalmente por atenuar o efeito estufa e auxiliar no controle da erosão. Na parte brasileira do bioma, existem cerca de três mil espécies de plantas vasculares, sendo que aproximadamente 400 são gramíneas, como capim-mimoso, pelo menos 385 espécies de aves, como pica-paus, caturritas, anus-pretos e 90 de mamíferos terrestres, como guaraxains, veados, tatus.

Mas este patrimônio natural do nosso Estado está AMEAÇADO.

Aos poucos, a monocultura do eucalipto, levada a cabo por empresas como Aracruz, Stora Enso e Votorantim (as principais), está transformando nossa paisagem:


DESERTO VERDE: expressão utilizada pelos ambientalistas para se referir à monocultura do eucalipto e seus nefandos impactos socioambientais. Entre os principais efeitos deste crime ambiental perpetrado com o apoio do poder público (Yeda recebeu R$ 500 mil de doação da Aracruz Celulose) e da grande mídia local (Grupo RBS diminuiria muito seus custos de produção se deixasse de importar papel-jornal do Canadá, como acontece hoje; com isso, o clã Sirotsky aumentaria ainda mais seus lucros), destacam-se: Desertificação, erosão dos solos, morte à biodiversidade (em florestas de eucalipto, normalmente só há formigas e caturritas), destruição de biomas (como é o caso do nosso pampa), concentração de terras (agravando a questão fundiária no Brasil) para cultivo de vastas extensões, atendendo à ânsia por lucros cada vez maiores por parte do capital estrangeiro, representado pelas corporações acima citadas.

CINCO POR CENTO da área original do bioma pampa no RS já foram perdidos para a monocultura do eucalipto e seus desertos verdes. Os impactos desse cultivo para o aqüífero Guarani, maior reserva subterrânea de água doce do mundo, serão irreversíveis. Aumentará a desertificação em municípios como Alegrete e Bagé onde, aliás, as papeleiras já adquiriram áreas e então principiando o plantio de mudas de eucalipto.

Pessoas do naipe de Carlos Otaviano Brenner de Morais (secretário estadual do Meio Ambiente, que está literalmente abrindo as pernas para as empresas de papel e celulose) e Ana Pellini (diretora-presidente da Fepam, encarregada de agilizar a concessão de licenças para plantio de eucalipto) ENCHEM DE VERGONHA o povo gaúcho. Mas nada supera nossa governadora Yeda Crusius. Dela, nem preciso falar mal: os fatos falam por si.

Informe-se. Manifeste-se!

sábado, 11 de outubro de 2008

Barganha política ameaça os pampas

Empresas em expansão no RS destinaram R$ 2 milhões a candidatos em 2006, dos quais R$ 500 mil foram para a campanha de Yeda Crusius

Foto: Fazenda da Aracruz, em Ponta das Canas, no município de Santa Margarida, RS.


"Porto Alegre – Com contribuições de campanha para dezenas de políticos e a promessa de investimentos de R$ 10,7 bilhões em cinco anos, três grandes empresas produtoras de celulose invadiram a metade sul do Rio Grande do Sul com florestas de eucaliptos, modificando a paisagem, os hábitos e a economia do pampa gaúcho. As papeleiras foram recebidas de porteiras abertas pelo governo do estado e pelos prefeitos da região, interessados na geração de empregos, renda e impostos. As relações com o meio político do estado foram azeitadas com doações no valor de R$ 2 milhões nas eleições de 2006, sendo R$ 500 mil para a governadora Yeda Crusius (PSDB)."

[trecho de reportagem de Lúcio Vaz, publicada no site do Correio Braziliense em 01/06/2008, com grifos meus]

Em breve, pretendo me estender um pouco mais sobre a cobertura que a mídia local (leia-se Grupo RBS) tem feito sobre a monocultura de celulose e as papeleiras.

Pra começar...

Resolvi iniciar esse blog para tratar especificamente de dois temas que têm mexido bastante comigo nos últimos meses: política e meio ambiente. É um reflexo do processo de engajamento político que estou vivendo, quando me dei conta de que eu precisava fazer algo diante da negligência com a natureza que estamos assistindo em nosso estado, e também na capital.

De um lado, o desrespeito ao meio ambiente evidenciado por administrações como as de Yeda e Fogaça; de outro, o absoluto desconhecimento dessas questões (cujas conseqüências, no futuro, tendem a ser catastróficas) por parte da ampla maioria das pessoas: esses dois aspectos me fizeram querer iniciar esse projeto. Mesmo em meios universitários, onde seria possível esperar maior envolvimento político e preocupação ambiental, o desconhecimento acerca desse descaso dos governos estadual e municipal é evidente. E nossa grande imprensa, como todo mundo já sabe, não exerce seu papel de informar os cidadãos e defender o interesse público: favorece apenas seus próprios interesses econômicos, apoiando governantes comprometidos com projetos de desenvolvimento insustentáveis do ponto de vista socioambiental.

Naturalmente, tudo o que diz respeito a meio ambiente e política terá espaço aqui no blog. Mas duas serão as questões principais a serem discutidas aqui:

a) A monocultura do eucalipto no Rio Grande do Sul, e o perigoso conluio entre políticos locais, indústrias de celulose e conglomerados regionais midiáticos.

b) A questão do espaço urbano em Porto Alegre, com a pressão do setor imobiliário para alteração da legislação ambiental do município, permitindo assim a execução de projetos polêmicos como o Pontal do Estaleiro, na zona sul da capital (que prevê a construção de seis torres na orla do Guaíba), cujos impactos ambientais sequer são mencionados por seus idealizadores.