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domingo, 9 de novembro de 2008

Lula incentiva o automóvel e esquece alternativas para transporte coletivo


Montadoras enviam para matrizes quase 5 bilhões de dólares, só em 2008

Duas notícias que sairam hoje nos jornais brasileiros precisam ser relacionadas entre si para darem sentido diverso do que podem representar, se lidas de forma isolada.

São essas:

1) Montadoras enviaram do Brasil para as matrizes, até setembro, US$ 4,8 bi (O Globo)

2) BB socorre montadoras com R$ 4 bi (O Estado de S. Paulo)

Montadoras são as fábricas de automóveis multinacionais que produzem veículos no Brasil, alimentando o nosso rodoviarismo hipertrofiado, seja no transporte de mercadorias pelas estradas, seja no transporte individual e coletivo nas áreas urbanas do País.

O governo Lula já está no sexto ano e ainda não apresentou nenhum projeto concreto para modificar essa situação calamitosa no Brasil.

Automóveis são despejados aos borbotões todos os anos nas cidades e estradas. As cidades estão saturadas de veículos, sem nenhuma política de planejamento centralizado para transporte coletivo urbano alternativo. As estradas são precárias e insuficientes para atender a mobilidade de pessoas e mercadorias, e igualmente não há nada que garanta que em dez anos não estejamos comentando o mesmo problema, apenas agravado pelo completo colapso das cidades e das rodovias.

Enquanto isso, repito, um banco público injeta 4 bilhões nas fábricas de automóveis. País rico e com tudo o mais “resolvido”, acontece isso.

Por Cristóvão Feil, do Diário Gauche.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sucateamento do transporte público na Zona Norte

Eu nasci e me criei na Zona Norte. Até os 20 anos, morava no Leopoldina, um dos muitos bairros da região pelos quais passa a avenida Baltazar de Oliveira Garcia, que se estende desde o Triângulo da Assis Brasil até o arroio Feijó, na divisa com Alvorada.

As obras do corredor de ônibus dessa via, responsabilidade do governo estadual, avançam lentamente, e não se sabe ao certo quando serão concluídas. O transtorno causado ao comércio da região é notável quando se percorre de ônibus a dita avenida. Resultado: pouco movimento nas lojas e queda no faturamento dos comerciantes.



Do blog Buracos da Baltazar:

O vereador Adeli Sell (PT) nos encaminha algumas respostas da prefeitura com relação aos Pedidos de Providências que este encaminhou sobre o transporte coletivo de nossa capital.

PP nº 2456/08 "a inclusão de mais linhas de lotação está limitada à legislação", e que, "quanto ao atendimento por ônibus a Empresa está trabalhando no aumento da tabela horária da Linha 727 - Agostinho-Sertório."

Isso mostra a inoperância da prefeitura em enviar projetos e a boa vontade de criar outras linhas para melhor atender a população.

PP nº 848/08 "a Faixa de Segurança só é adotada nas esquinas junto aos cruzamentos ou quando existe pólo gerador onde a travessia é concentrada com grande volume de pedestres", e que, "as travessias na Rua Bernardino Silveira Amorim com a Av. Assis Brasil ocorrem, conforme contagem, de forma eventual e dispersa, o que, no momento, não exige Faixa de Segurança".

Isso quer dizer que precisa haver uma grande tragédia no local para que o Prefeito se digne a pintar uma Faixa de Segurança no local. Essa demanda foi encaminhada pela comunidade.

PP nº 1557/08 "desde 21/07/2007, a Linha T11-3ª Perimetral foi estendida até a Av. Cavalhada quase esquina com a Av. Juca Batista", ainda, que "os usuários que vêm da zonal Sul e têm a necessidade de se utilizar da Linha T11 para se deslocar à zona Norte ou até o Centro, são atendidos pelas linhas da STS, e podem fazer a integração na Av. Cavalhada, Av. Nonoai, e Av. Teresópolis", mais, que "os usuários que não têm uma linha que os leve diretamente em seus destinos, devem necessariamente integrar com outra, nos pontos de intersessão ou tangência, pagando duas tarifas".

Isso nos mostra a total falta de compromisso com o transporte público e com as comunidades que necessitam atravessar a cidade. E pior, ainda afirmam que terão que pagar 2 passagens.

PP nº 2241/08 "o cruzamento da Av. Adelino Ferreira Jardim com a Av. Wolfran Metzler é fiscalizada diariamente por meio de rondas das viaturas".

A comunidade nunca viu uma viatura sequer lá nas voltas do Assum, esta demanda foi de mais de uma dezenas de pessoas do Rubem Berta, que sofrem com o desrespeito ao semáfaro lá existente.

PP nº 955/08 "o Planejamento do Transporte Coletivo segue critários técnicos de dimensionamento", "a quantidade de viagens a serem realizadas depende das características da linha como extensão, tipo de linha, demanda diária, pico e capacidade da frota, entre outras", "se monitorou a Linha 624 - São Borja durante determinado período e se constatou que a programação atual está adequada a demanda", "desta forma, após estudos e fiscalização realizados, se verificou que a Linha 624 - São Borja se encontra dentro dos critérios técnicos adotados e bem dimensionados."

A que horas será que eles foram fazer esse estudo, se é que fizeram. Pois a comunidade daquele local reclama quase que diariamente dos atrasos e da superlotação, tanto pela manhã no sentido bairro-centro, como no sentido inverso após às 17 horas.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Fogaça quer transformar terminais de ônibus em shoppings

Imagem: traçado do corredor exclusivo de ônibus no projeto Portais da Cidade.


Os Portais da Cidade são as meninas-dos-olhos do nosso bom prefeito candidato à reeleição Fogaça. É um projeto que, ao que parece, deve resolver o problema do transporte coletivo em Porto Alegre, superando o caos reinante numa das áreas em que nossa cidade mais vinha se destacando antes da administração atual.

O fato é que, em primeiro lugar, deve-se destacar que, em pleno século XXI, no auge da preocupação ecológica e da busca por formas alternativas de transporte (com o menor impacto ambiental possível), é de uma pequeneza atroz achar que um sistema de ônibus melhorado vá solucionar a questão do transporte público em Porto Alegre.

Sim, porque os Portais de que nosso prefeito tanto fala não são nada além de um sistema de ônibus um pouco mais aprimorado. O BRT, sigla para Bus Rapid Transit, é um sistema inspirado no que já existe desde os anos 60 em Curitiba, com ônibus articulados circulando em corredores exclusivos. Nada muito diferente também do que já existe por aqui. E este é sistema que nosso prefeito que implantar em nossa cidade.

Resumidamente, é isto: três terminais receberão toda a demanda de linhas que partem dos bairros até o Centro; um será na Cairu, esquina com Farrapos, outro onde é o terminal Azenha, e mais um no atual largo Zumbi dos Palmares, Cidade Baixa; pois bem, desses Portais, partirão ônibus articulados que conduzirão os passageiros até o Centro através de uma rede de corredores exclusivos (imagem) que se estende desde o Triângulo da Assis Brasil, passando por toda Sertório, Farrapos, circulando por dentro do Centro, até o largo Zumbi, partindo daí pela João Pessoa até a Azenha. Brilhante, não?

As pessoas que vêm da Zona Norte (conheço-a bem, morei quase toda a minha vida no Leopoldina), da Zona Sul e da Zona Leste terão que FAZER BALDEAÇÃO para chegar ao Centro. Segundo o projeto, esses "minhocões" passarão de três em três minutos, o que eu sinceramente duvido muito que aconteça, considerando os padrões de eficiência das nossas empresas de transporte coletivo.

Outra questão que sequer é colocada é a seguinte: então o prefeito quer ampliar a frota de ônibus, certo? Muito bem, além dos ônibus que já existem, serão incorporados novos veículos articulados à frota, que circularão entre os Portais. O projeto disponibilizado no site da prefeitura, que possui uma seção exclusivamente para divulgar essa nova panacéia do deslocamento de passageiros em Porto Alegre, alardeia que trará benefícios ambientais para cidade, com a diminuição da poluição em função dos combustíveis (gás natural ou biodiesel) usados nos modernos ônibus "minhocão".


É o que o diz o projeto inicial elaborado pela prefeitura. Na verdade, não diminuirá a poluição; aumentará, pois haverá incremento na frota. É óbvio: mais ônibus na rua, maior poluição atmosférica. É uma simples questão de ARITMÉTICA. Pode até diminuir a poluição no Centro, mas dizer que "a frota do BRT" poluirá menos por ser formada por "veículos com baixos níveis de emissores" é pura falácia. Haverá MAIS poluição; menos concentrada no Centro, é verdade, mas mais disseminada pela cidade.

Mais uma coisa que o prefeito Fogaça não lembra quando defende seu projeto: para levantar os TRÊS shoppings que serão os tais Portais (visto que terão lojas, estacionamentos, praça de alimentação e outros luxos burgueses), a admistração pretende fazer parcerias público-privadas (PPP). Toda a infraestrutura dos prédios será construída pela iniciativa privada, e não pelo Poder Público. Em troca, quem construir os Portais poderá explorá-los economicamente por até TRINTA anos.

Ou seja, privatização do espaço público. Típico dessa corja que (des)governa nosso Estado e nossa cidade.

Não ajude a reeleger um projeto político que NEGLIGENCIA o meio ambiente e é completamente SUBSERVIENTE aos interesses do capital!