
Imagem: traçado do corredor exclusivo de ônibus no projeto Portais da Cidade.
Os
Portais da Cidade são as
meninas-dos-olhos do nosso bom prefeito candidato à reeleição Fogaça. É um projeto que, ao que parece, deve resolver o problema do transporte coletivo em Porto Alegre, superando o
caos reinante numa das áreas em que nossa cidade mais vinha se destacando antes da administração atual.
O fato é que, em primeiro lugar, deve-se destacar que, em pleno século XXI, no auge da preocupação ecológica e da busca por formas alternativas de transporte (com o menor impacto ambiental possível), é de uma pequeneza atroz achar que um sistema de ônibus melhorado vá solucionar a questão do transporte público em Porto Alegre.
Sim, porque os
Portais de que nosso prefeito tanto fala não são nada além de um sistema de ônibus um pouco mais aprimorado. O BRT, sigla para
Bus Rapid Transit, é um sistema inspirado no que já existe desde os anos 60 em Curitiba, com ônibus articulados circulando em corredores exclusivos. Nada muito diferente também do que já existe por aqui. E este é sistema que nosso prefeito que implantar em nossa cidade.
Resumidamente, é isto: três terminais receberão toda a demanda de linhas que partem dos bairros até o Centro; um será na Cairu, esquina com Farrapos, outro onde é o terminal Azenha, e mais um no atual largo Zumbi dos Palmares, Cidade Baixa; pois bem, desses Portais, partirão ônibus articulados que conduzirão os passageiros até o Centro através de uma rede de corredores exclusivos (imagem) que se estende desde o Triângulo da Assis Brasil, passando por toda Sertório, Farrapos, circulando por dentro do Centro, até o largo Zumbi, partindo daí pela João Pessoa até a Azenha. Brilhante, não?
As pessoas que vêm da Zona Norte (conheço-a bem, morei quase toda a minha vida no Leopoldina), da Zona Sul e da Zona Leste terão que FAZER BALDEAÇÃO para chegar ao Centro. Segundo o projeto, esses "minhocões" passarão de três em três minutos, o que eu sinceramente duvido muito que aconteça, considerando os padrões de eficiência das nossas empresas de transporte coletivo.
Outra questão que sequer é colocada é a seguinte: então o prefeito quer ampliar a frota de ônibus, certo? Muito bem, além dos ônibus
que já existem, serão incorporados
novos veículos articulados à frota, que circularão entre os Portais. O projeto disponibilizado no site da prefeitura, que possui uma
seção exclusivamente para divulgar essa nova
panacéia do deslocamento de passageiros em Porto Alegre, alardeia que trará
benefícios ambientais para cidade, com a diminuição da poluição em função dos combustíveis (gás natural ou biodiesel) usados nos modernos ônibus "minhocão".
É o que o diz o projeto inicial elaborado pela prefeitura. Na verdade, não diminuirá a poluição; aumentará, pois haverá incremento na frota. É óbvio: mais ônibus na rua, maior poluição atmosférica. É uma simples questão de ARITMÉTICA. Pode até diminuir a poluição no Centro, mas dizer que "a frota do BRT" poluirá menos por ser formada por "veículos com baixos níveis de emissores" é pura falácia. Haverá MAIS poluição; menos concentrada no Centro, é verdade, mas mais disseminada pela cidade.
Mais uma coisa que o prefeito Fogaça não lembra quando defende seu projeto: para levantar os TRÊS shoppings que serão os tais Portais (visto que terão lojas, estacionamentos, praça de alimentação e outros luxos burgueses), a admistração pretende fazer parcerias público-privadas (PPP). Toda a infraestrutura dos prédios será construída pela iniciativa privada, e não pelo Poder Público. Em troca, quem construir os Portais poderá explorá-los economicamente por até TRINTA anos.
Ou seja, privatização do espaço público. Típico dessa corja que (des)governa nosso Estado e nossa cidade.
Não ajude a reeleger um projeto político que NEGLIGENCIA o meio ambiente e é completamente SUBSERVIENTE aos interesses do capital!