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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Presidente Lula reafirma que não salvará PAPELEIRAS


Fomos eleitos, assumimos compromissos com o povo, e o Estado, diante da crise mundial, volta a ter papel extraordinário, porque todas essas instituições que negaram o papel do Estado na hora da crise procuram o Estado para socorrê-las da crise que elas mesmo criaram.

As empresas brasileiras têm grandes investimentos, rodovias, ferrovias, siderurgia, portos, agricultura. Trabalhamos honestamente por seis anos para por a economia num padrão respeitável no Brasil inteiro. É por isso que juntamos US$ 207 bilhões em reservas. É por isso que fizemos ajustes fiscais. Entretanto, por que estamos vivendo sinais da crise? É porque alguns setores resolveram investir em derivativos, fazer um cassino. Portanto quem foi para a jogatina perdeu. Ninguém tinha o direito de tentar, diria de forma ilícita, mais que aquilo que o próprio sistema produtivo oferecia ao país.

Grifos meus.

domingo, 26 de outubro de 2008

A Aracruz pode FALIR?


Vítima dos derivativos de câmbio, a Aracruz prende a respiração a cada repique da moeda americana, como a verificada nesta quarta-feira (22/10), quando o dólar disparou 6,67% e encerrou o dia a 2,38 reais. A companhia possui uma exposição cambial de 6,26 bilhões de dólares em derivativos. A pergunta do mercado é: até que ponto a Aracruz pode resistir à disparada da moeda americana? Para a corretora Planner, a resposta é 2,70 reais por dólar. "A essa taxa, a empresa estará no pior dos mundos, e pode quebrar", afirma Peter Ping Ho, analista de papel e celulose da corretora.

Ping Ho explica que o que poderia levar à insolvência da Aracruz é a conjugação de vários fatores: os contratos de derivativos que ainda não foram liquidados, as outras dívidas em dólar da empresa, não necessariamente atreladas aos derivativos, e a necessidade da empresa de continuar desembolsando dinheiro para manter suas atividades no dia-a-dia. "Isso tudo pode comprometer o caixa operacional da empresa", afirma o analista.

No gráfico, queda das ações da Aracruz Celulose na bolsa. Charge de Eugênio Neves.

Fontes:
http://portalexame.abril.com.br/financas/derivativos-podem-quebrar-aracruz-393903.html
http://www.rsurgente.net/2008/10/aracruz-pode-quebrar.html

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Governo federal não vai socorrer papeleiras que fizeram jogatina


Ministro diz que esse é um problema privado

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse anteontem (21/10), em audiência pública na Câmara dos Deputados, que o governo federal não vai assumir prejuízos com derivativos de câmbio. Várias empresas exportadoras fizeram operações financeiras arriscadas, apostando na queda do dólar, e tiveram grandes perdas quando a moeda disparou, em virtude da crise financeira.“Essas empresas é que terão que arcar com os prejuízos, o governo não vai dar um tostão”, garantiu Mantega.

Ele disse também que esse é um problema privado e assim será tratado pelo governo. Ainda não sabe se o volume total do prejuízo com derivativos cambiais, de acordo com o ministro. Informações extra-oficiais dão conta de que cerca de 200 empresas exportadoras estariam em dificuldades financeiras em decorrência dessas operações.

Até agora, apenas a Sadia Alimentos (que promove matança industrializada de animais), e as papeleiras Aracruz e Votorantim assumiram publicamente perdas milionárias, e o fizeram porque têm satisfações a dar à Comissão de Valores Mobiliários, que defende os investidores em bolsa no Brasil.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Aracruz suspende investimentos em Guaíba

A papeleira informou na tarde de hoje que o projeto de expansão da planta industrial em Guaíba está suspenso para “preservar a liquidez da companhia”. A empresa teve prejuízos de R$ 1,642 bilhão no terceiro trimestre deste ano, devido a operações desastrosas de seus executivos no mercado cambial.

Entre as medidas divulgadas hoje, estão a suspensão temporária dos investimentos no projeto Guaíba II (RS) e da compra de terras e da formação de florestas dos projetos Veracel II (BA) e de Minas Gerais. Com essas medidas, a Aracruz reduzirá seus investimentos em US$ 900 milhões até 2009. A Aracruz ainda anunciou que pode retomar os investimentos em Guaíba assim que a situação do mercado se estabilizar. Pelo menos, sentiram o baque.

Ao menos uma notícia boa, depois da ressaca pelos acontecimentos de ontem.
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Fontes:

sábado, 11 de outubro de 2008

Barganha política ameaça os pampas

Empresas em expansão no RS destinaram R$ 2 milhões a candidatos em 2006, dos quais R$ 500 mil foram para a campanha de Yeda Crusius

Foto: Fazenda da Aracruz, em Ponta das Canas, no município de Santa Margarida, RS.


"Porto Alegre – Com contribuições de campanha para dezenas de políticos e a promessa de investimentos de R$ 10,7 bilhões em cinco anos, três grandes empresas produtoras de celulose invadiram a metade sul do Rio Grande do Sul com florestas de eucaliptos, modificando a paisagem, os hábitos e a economia do pampa gaúcho. As papeleiras foram recebidas de porteiras abertas pelo governo do estado e pelos prefeitos da região, interessados na geração de empregos, renda e impostos. As relações com o meio político do estado foram azeitadas com doações no valor de R$ 2 milhões nas eleições de 2006, sendo R$ 500 mil para a governadora Yeda Crusius (PSDB)."

[trecho de reportagem de Lúcio Vaz, publicada no site do Correio Braziliense em 01/06/2008, com grifos meus]

Em breve, pretendo me estender um pouco mais sobre a cobertura que a mídia local (leia-se Grupo RBS) tem feito sobre a monocultura de celulose e as papeleiras.