terça-feira, 10 de março de 2009

O poder teme as máscaras


Hoje pela manhã, tive minha primeira aula de Jornalismo Impresso III com o Prof. Wladymir Ungaretti, da Fabico/UFRGS. Um Professor de verdade, com pê maiúsculo, como poucos hoje em dia. Ele comentou as ações das guerreiras da Via Campesina em sua Jornada Nacional de Luta das Mulheres (leia mais aqui), em favor da agricultura familiar e da soberania alimentar, contra o agronegócio e a monocultura do eucalipto.

São bem conhecidos os danosos efeitos que esse tipo de cultivo causa à natureza e à atividade agrícola, tais como desertificação e acidez de solos e depredação do bioma pampa no RS, pondo em risco a existência de três mil espécies de plantas vasculares, 385 espécies de aves, como pica-paus, caturritas, anus-pretos e 90 de mamíferos terrestres, como guaraxains, veados e tatus.

Em muitas áreas, segundo a Via Campesina, já falta água para o consumo humano e para a criação de animais.


O que eu queria mesmo era estar no lugar de uma dessas mulheres tão corajosas, que não se intimidam diante da demonização midiática, da perseguição governamental e da repressão violenta à luta pela terra no Brasil; gostaria de ter tido a oportunidade de empunhar, com a mesma valentia que elas, facão ou foice e por abaixo alguns eucaliptos. Diante das centenas de hectares já tomados por desertos verdes no estado (onde a única fauna existente são formigas e caturritas), os dois hectares derrubados pelas campesinas valem mais pelo aspecto simbólico de materialização da resistência às papeleiras e suas florestas artificiais.


Ungaretti, ao comentar a Jornada das trabalhadoras rurais, disse que "o poder teme as máscaras"; salientou também que as agricultoras seguem o exemplo dos zapatistas ao cobrir o rosto com lenços roxos.

O Professor tem toda a razão: os poderosos temem as máscaras pois nelas enxergam suas próprias máscaras; por meio delas, enganam o povo e dissimulam os seus reais interesses.

Fotos: Eduardo Seidl

Nenhum comentário:

Postar um comentário