sexta-feira, 6 de março de 2009

Audiência pública do Pontal: o picadeiro da democracia (i)


Como era esperado, a audiência pública sobre o Pontal do Estaleiro, realizada na noite da última quinta-feira (5/3) ficou longe de contribuir minimamente para a discussão democrática e cidadã acerca desse que é com certeza o projeto mais controverso em tramitação na nossa Câmara Municipal; também ficou clara, no meu entender, a impossibilidade de formação de consenso sobre a destinação que será dada à Ponta do Melo, já que nenhum dos lados em disputa parece estar disposto a ceder em suas posições.

Pontaleiros e sua bancada do concreto repetiram sempre o mesmo discurso: a culpa é do PT, que passou 16 anos no poder e não resolveu a questão da orla do Guaíba (como se agora o governo Fogaça estivesse propondo soluções razoáveis para a área); o empreendimento vai gerar empregos para a população e impostos para a prefeitura; quem se opõe à iniciativa é contra o "progresso" ou "desenvolvimento" da cidade, já que os espigões planejados para a Ponta do Melo serão um atrativo turístico para nossa capital; o posicionamento de ambientalistas e estudantes sempre é qualificado como "atrasado", isso quando não partem – estou me referindo a vereadores eleitos pelo voto popular, e não simples cidadãos – para o ataque pessoal, utilizando inclusive expressões chulas e termos de baixo calão.

É vergonhosamente cômico ver alguns desses senhores engravatados batendo boca e trocando insultos entre eles e também com pessoas das galerias. Não há dúvida do entendimento limitado que alguns nobres edis possuem sobre conceitos tão essenciais à prática política, como ética, cidadania e, principalmente, democracia.

Nas fotos de Pedro Revillion (CMPA), o bom público presente no início da audiência, durante o pronunciamento do líder comunitário João Volino; e um sindicalista pelego da construção civil, que se posicionou favorável ao Pontal da Vergonha.

[Continua...]

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